Quem diria que um dia…

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… eu teria um “escritório” sobre rodas. Isso mesmo, duas vezes por mês é assim que vou às compras: caderno, caneta, e meu bloquinho de cupons. ADORO. Aprendi cortar os cupons com a minha sogra, que é quem me repassa os inserts que vêm no jornal de domingo. No começo achava um saco, era super desorganizada. Mas com o tempo fui aprendendo me organizar, fazer a lista de compras, e recortar os cupons que preciso. Nada, nada, chego a receber de volta mais de $20 dólares em descontos por compra (faz a conta ai com o dólar no valor do real e veja o tamanho da economia).

Meus preferidos são cupons para produtos de limpeza e beleza, e o da ração da Sammy (nossa filha de quatro patas). Muitos dos cupons para comida só podem ser usados quando levo dois ou três do mesmo produto ou produtos de uma mesma marca (por exemplo cereal: o cupom só vale quando levo três caixas). A lista de compra facilita na organização dos cupons, porque sei quais precisarei e posso já deixar separado pra quando chegar no caixa.

Estou longe de virar uma louca dos cupons, como os protagonistas do Extreme Couponing do canal TLC. Na verdade, não tenho a mínima intenção. Mas com moderação e dentro das necessidades da minha família, super vale a pena.

E você não precisa ser “estrangera” pra entrar nessa onda. Se estiver passeando ou de viagem marcada para os EUA, faça sua lista e procure os cupons no site das marcas e produtos que tem interesse. Depois é só imprimir ou salvar a imagem com o código de barras no seu smartphone.

Dúvidas?.. deixe um comentário com sua pergunta que eu respondo e te ajudo.

Até 🙂

Planejar aniversário de …

… criança não é das tarefas mais empolgantes no meu livro. Não tenho muita paciência. Talvez porque desde que passei a desempenhar essa função, há quase 5 anos, já não estava no meu ambiente e, além de aprender o dia-a-dia de mãe, ainda precisava aprender a ser mãe da/na América do Norte (e acreditem, esse aprendizado vai longe).
Sim, pra ser mãe basta ter um filho… mas mães têm costumes que se desenvolvem a partir da sociedade que pertencem. Ou seja: costumes diretamente relacionados à cultura, tradições e ao ambiente em que vivem e/ou viveram. Pra resumir aqui estou, uma garota dos trópicos, criando meu filho em Nárnia, onde dos 12 meses do ano: 6 são gelados, 3 são frios, 1 é fresco, 1 é morno e 1 é quente.

Os costumes são diferentes, o clima é diferente, as refeições, o calendário escolar, etcs. A interação social é completamente diferente. Tem muita coisa que ainda não assimilei, como por exemplo levar meu “cooler” de bebidas sempre que for a uma festa, ou deixar uma cadeira portátil no porta-malas do carro pra ter um lugar pra sentar quando for a uma festa ao ar livre. Sim, eu sou “aquela mãe” que sempre esquece a marmita..

Nesse enredo entra o planejamento do aniversário. Até hoje meu filho não teve uma Piñata (pinhata), que é aquele bicho de papel que as crianças enchem de paulada pra quebrar e pegar os doces dentro (tipo aquela Bexiga enorme que penduramos no Brasil). Não teve Piñata ainda porque eu esqueço. Sei lá.. nunca fui muito fã daquelas bexigas, e no caso da IMG_0071americana o próprio nome “piñata” já demonstra que essa não é bem uma tradição daqui, eu simplesmente esqueço. Mas agora ele, o aniversariante, faz questão de me lembrar.

Nunca sei se devo convidar os pais dos amiguinhos ou não. Minha “brasileirísse” diz que sim, mas a vida na América não. Também gosto de fazer a mesa com brigadeiros e docinhos, bem brasileiros, afinal.. aniversário sem brigadeiro não é aniversário né, mas e aí pra explicar que os doces são pra D-E-P-O-I-S do parabéns e vão junto com o bolo. Resultado: mesa defasada pra famosa foto (aliás, a foto nós – eu e o pai – também esquecemos de “tirar”).

Ahhhh… e antes que me esqueça… deixa eu falar uma coisa: sabe o pedaço do bolo. Então, aqui os pedaços são tipo XL (extra large). Praticamente um pedaço alimenta uma família de quatro pessoas. Daí vou eu, toda trabalhada no “vamôs dividir”, cortar pedaços brasileiros. Sempre recebo uma olhadinha da sogritcha nessa hora. Aquela olhada com a sobrancelha levantada: _ “Põe um pedaço maior pro Sogro”. Fazer o quê?!

E a hora dos presentes… todos numa caixa e como manda a tradição destas bandas a criança senta numa cadeira, cercada pelos amiguinhos, e perde tempo precioso de sua festa, quando poderia estar brincando, abrindo pacotes e exibindo cada um de seus novos brinquedos. Enquanto isso, um dos pais anota um por um dos presentes e seus respectivos remetentes, para depois enviar notas de “Thank You” aos convidados. Essa situação, especialmente em aniversário de criança pequena, sempre acaba com alguém chorando. Sem contar o quanto é estranho ver seu filho ali, sentado num momento “REI”, rodeado de “súditos” babando pra usar um dos novos brinquedos. Affff.. por mim, levaria tudo pra casa e abriria lá.

O cardápio da festinha, no entanto, é fácil. Pra agradar gregos e troianos: cachorro quente – que é feito de salsicha e pão – e/ou pizza. Se quiser ser mais ousada/o pode encomendar subs ou fazer um chilli. Se o aniversário for no verão da pra fazer um churrasco – de hambúrguer. E, ainda, podemos optar por um “veggie platter”.. yummy … pedaços de pimentão, brócolis, cenoura, salsão – tudo cru – com um molho ranch pra disfarçar o sabor desse “delicioso” prato infantil.

São diferenças sutis como estas que não levamos em consideração quando decidimos mudar de país. O dia-a-dia estrangeiro traz muito mais diferenças culturais que aquelas que notamos quando fazemos turismo. O truque está mesmo em assimilar essas sutilezas, crescer com o novo, entendendo principalmente que nós somos os gringos.

E aí, mesmo com a paciência no espaço, a gente organiza a festa feliz. Porque celebrar mais um ano na vida desses pequenos, que são “estrangerinhos” é mais legal que celebrar o nosso aniversário. Embora sejamos estranhos, é essa outra terra a pátria mãe dos nossos filhos. 

Agora me conta, você “Estrangera” ou “Estrangero” do outro lado, tem alguma gafe de costumes pra dividir comigo?

Até! 😉

… e ele caiu no gelo

Meu filho é dessas crianças movidas a um desafio pessoal. Ele não se conforma em não saber algo que outra criança parecida com ele faz (eu grifei “parecida” porque quero esclarecer: estou me referindo à aparência física: mesma altura, cor de cabelo, olhos.. não, necessariamente, idade). Foi assim que ele começou andar, falar, e foi assim que ele começou falar português (só comigo que não).

Ano passado o levamos, pela primeira vez, pra patinar no gelo – ice skating. Ele   adorou. Mas patinar mesmo… não rolou. Especialmente porque, por aqui, as arenas de patinação – rinks – oferecem uma espécie de andador para as crianças se apoiarem, com isso, minha pequena pessoa só quis se pendurar no negócio sem tentar equilibrar. Acontece que esse inverno … a arena onde costumávamos ir, e podíamos alugar os patins, entrou em reforma e não abrirá. As outras arenas das região estão abertas em horários limitados para o público, mas não oferecem aluguel de patins. Com isso, só as pessoas que têm o costume de patinar e, por isso, investem em um par de patins, é que as frequentam.

Let’s just say: atualizamos os equipamentos esportivos da casa.

children-ice-skating-md.pngEnfim… hoje foi a segunda vez que o levei pra patinar. E antes de mais nada, deixa eu explicar uma coisa: os patins do meu filho têm duas lâminas, porque penso que ele precisa sentir-se confortável no gelo primeiro antes de sair fazendo manobras e pulos. Pudemos – nós, os pais – notar a diferença na “patinação” dele, já na primeira vez.

Hoje, bom hoje, como eu disse, foi a segunda vez que o levei pra patinar… Hoje voltei pra casa pensando que logo terei de investir na atualização dos equipamentos esportivos novamente, com um minúsculo patins de uma lâmina. Tudo por conta de um menininho de 6 anos, chamado Jaiden, que patina linda e loucamente, e hipnotizou meu menino de quatro.

Impressionante como crianças agem por exemplo. Até o momento em que aquele garotinho entrou no rink, meu filho estava na maior preguiça de tentar. Como a maioria das pessoas ali eram estranhas, ele optou por observar sempre apoiado no andador. Mas quando o Jaiden entrou no gelo – zum, zum, zum … juro que vi a “Formiga Atômica” (do desenho), correndo de lá pra cá, dançando entre os outros patinadores, um mini-hockey-player. Naquele momento, praticamente mágico, o feitiço se quebrou. Meu menino começou a andar na direção do Garoto, determinado em se tornar “his friend” e brincar com ele.

Foi assim, por outros 40 minutos. Mas daí, ele já estava andando, caindo, correndo de patins por uma arena de gelo lotada sem sequer lembrar daquelas m**** de andadores.

… você tem alguma história de seu/seus filhos parecida? Como lidam com os desafios e com os aprendizados da vida?

Até 🙂