… e ele caiu no gelo

Meu filho é dessas crianças movidas a um desafio pessoal. Ele não se conforma em não saber algo que outra criança parecida com ele faz (eu grifei “parecida” porque quero esclarecer: estou me referindo à aparência física: mesma altura, cor de cabelo, olhos.. não, necessariamente, idade). Foi assim que ele começou andar, falar, e foi assim que ele começou falar português (só comigo que não).

Ano passado o levamos, pela primeira vez, pra patinar no gelo – ice skating. Ele   adorou. Mas patinar mesmo… não rolou. Especialmente porque, por aqui, as arenas de patinação – rinks – oferecem uma espécie de andador para as crianças se apoiarem, com isso, minha pequena pessoa só quis se pendurar no negócio sem tentar equilibrar. Acontece que esse inverno … a arena onde costumávamos ir, e podíamos alugar os patins, entrou em reforma e não abrirá. As outras arenas das região estão abertas em horários limitados para o público, mas não oferecem aluguel de patins. Com isso, só as pessoas que têm o costume de patinar e, por isso, investem em um par de patins, é que as frequentam.

Let’s just say: atualizamos os equipamentos esportivos da casa.

children-ice-skating-md.pngEnfim… hoje foi a segunda vez que o levei pra patinar. E antes de mais nada, deixa eu explicar uma coisa: os patins do meu filho têm duas lâminas, porque penso que ele precisa sentir-se confortável no gelo primeiro antes de sair fazendo manobras e pulos. Pudemos – nós, os pais – notar a diferença na “patinação” dele, já na primeira vez.

Hoje, bom hoje, como eu disse, foi a segunda vez que o levei pra patinar… Hoje voltei pra casa pensando que logo terei de investir na atualização dos equipamentos esportivos novamente, com um minúsculo patins de uma lâmina. Tudo por conta de um menininho de 6 anos, chamado Jaiden, que patina linda e loucamente, e hipnotizou meu menino de quatro.

Impressionante como crianças agem por exemplo. Até o momento em que aquele garotinho entrou no rink, meu filho estava na maior preguiça de tentar. Como a maioria das pessoas ali eram estranhas, ele optou por observar sempre apoiado no andador. Mas quando o Jaiden entrou no gelo – zum, zum, zum … juro que vi a “Formiga Atômica” (do desenho), correndo de lá pra cá, dançando entre os outros patinadores, um mini-hockey-player. Naquele momento, praticamente mágico, o feitiço se quebrou. Meu menino começou a andar na direção do Garoto, determinado em se tornar “his friend” e brincar com ele.

Foi assim, por outros 40 minutos. Mas daí, ele já estava andando, caindo, correndo de patins por uma arena de gelo lotada sem sequer lembrar daquelas m**** de andadores.

… você tem alguma história de seu/seus filhos parecida? Como lidam com os desafios e com os aprendizados da vida?

Até 🙂

Pequenos Passos no Corredor

Hoje acordei com passinhos no corredor. Melhor, devo chamar de passões – stump, stump -. Meu filho, de 4 anos, acordou, e, pela primeira vez, foi ao banheiro sem seu tradicional “Mommy… I need to go potty” (Mamãe, tenho que ir ao banheiro). Da minha cama pude fiscalizar a ação – um pouco pelo reflexo do corredor no espelho do quarto e outro pouco por audição mesmo (ahhh… dos super poderes que ganhamos com a maternidade, super audição é um dos meus preferidos). Ele baixou a tampa do vaso, sentou sozinho, fez xixi, deu descarga (óóóó...) e subiu a calça SOZINHO!!!!

Você lendo isso pode estar pensando: “_sério!!! E daí? Aos quatro anos meu filho já até fritadava um ovo e você celebrando o fato do seu ter ido ao banheiro sozinho” … Bom, sim estou. Porque embora ele vá ao banheiro sozinho há mais de um ano, ele ainda tem o costume de me avisar e de pedir ajuda pra subir a calça todas as vezes. Mas não é o fato de ele ter tomado a inciativa que me alegrou. A “ida” independente desta manhã me ajudou entender que meu pequeno passou mais uma fase na vida dele, e isso explica muita coisa, especialmente as brigas que temos travado ao longo s últimas semanas.

Sério… gente.. quem merece personalidade de criança de 4 anos. O meu, da noite pro dia, entrou numas de: quero ficar sozinho, não estou falando com você, quero meu pai, sai, quero meu pai, não gosto dessa comida, quero meu pai, e, pra completar, também passou a fazer caretas, aprendeu bufar, e tentou (já umas duas vezes) me colocar pra pensar no canto. Ouuu.. e não é fácil! Concorda?! Se por um lado tem esse menino crescendo (saudavelmente) por outro tem uma mulher que há quatro anos está aprendendo ser mãe, e tem hora que essa mulher quer é sair correndo.

Então, nessa manhã, quando ele acordou, não me chamou, fez seu xixi, cuidou de todos os pormenores que seguem o ato, e se instalou confortavelmente na frente da televisão da sala… meu coração se aquietou e eu suspirei… meu pequeno menino, agora é um menino. A rebeldia passou a fazer um certo sentido. E por mais que eu, no meu papel de mãe, queira estar por perto, proteger e ajudar, entendo que as fases mudam e que agora é hora do passarinho tentar novos voôs. De qualquer forma… “MOMMY”… eu ainda tive que levantar da cama quentinha e ir até a sala. Afinal de contas, ele ainda não guardou qual o botão que liga a TV.

😉 Até!

o homem de bigode

Porque me atrevi cortar as madeixas (mesmo sabendo que a preferência dele era pra que permanecessem longas), me deparo certa manhã, com um homem de bigode circulando pela casa. “Gostou?” …. hummmm o que eu responderia. Acho que a expressão de estranheza na minha cara foi tamanha que, antes mesmo que eu tivesse tempo de elaborar uma honesta, porém polida resposta, escuto a seguinte explicação: “Temos que mudar, experimentar ser diferente não é mesmo! Você, por exemplo, mudou seu cabelo”…. hãh… Ok. Naquele momento (alfinetada) foi preciso uma dessas famosas engolidas à seco e, já que não dava pra ser sincera, pelo menos administrei uma resposta polida: “Vamos esperar um tempo e ver se consigo me acostumar” (sorriso amarelo).

Nesse caso duas verdades. A primeira: eu detestei o bigode. A segunda: sou a favor do direito de expressão em, praticamente, todas as suas formas (e, nesse caso, o bigode se encaixou como uma delas). Eu pinto a unha, uso maquiagem, não tenho sapatos e bolsas suficientes, costumo mudar a cor do meu cabelo com certa regularidade, acessorizo* minha produções com lenços, colares, brincos, pulseiras, anéis, etc… tudo pra me sentir bem e expressar minha personalidade. Ele é do tipo tênis, jeans e camiseta básico, com forte tendência a variações nos cabelos faciais, mas que, até então, se atinham aos estilos sem ou com barba e à diferentes formas e cumprimentos da mesma. Sem barba e com bigode era a primeira vez.

O homem de bigode. O “meu” homem de bigode. O meu que se tornara um estranho. Ficou quase impossível ter uma conversa séria com ele, porque eu não conseguia parar de olhar para o bigode. Com um sentimento horrível de culpa (por que eu fui inventar de cortar meu cabelo?), só me restava torcer pra alguém fazer o grande favor de ser sincero e polido no meu lugar. “Não, esse bigode não lhe caiu bem”. Mas essa sorte eu não tive.

Por cerca de duas semanas e meia eu lutei, tentei com todas minhas forças abraçar a causa do bigode na família. Me consolei com a realidade e até apoiava os discursos pró-bigode…afinal ele, o dono do bigode, é o amor da minha vida. Mas então ELA chegou, com sua falta de paciência e dramaticidade avassaladoras: TPM – a inimiga número um de maridos, namorados, irmãos, colegas de trabalho e bigodes.

Estava na hora de desabafar sobre o bigode. A conversa polida, mas não muito honesta, começou comigo reclamando do meu próprio corte de cabelo e como eu andava me sentindo feia e desinteressante (estratégia meninas). Lágrimas rolavam.

“Você parece que nem gosta mais de mim. Está distante. Fala verdade, é meu cabelo”… pobre marido, não sabia o que dizer… “O que você está falando, eu gostei do seu cabelo. Você está bonita. Todo mundo está falando bem sobre o corte”… e era verdade (modéstia a parte), mas eu ainda tinha que chegar no bigode… soluçando resolvi pular para o objeto principal do argumento.. “mas então por que toda vez que eu tento falar algo sobre seu bigode você automaticamente retruca falando sobre o meu cabelo?”… pobre marido.. “What???.. O que você quer dizer?”… bang!!! mission accomplished … Enxugo as lágrimas, me aconchego entre seus braços e … “Baby, honestamente, não está rolando. Esse bigode é bonito e tal, mas não combina com você, ou até combina, mas eu não consigo me acostumar. É como se você estivesse em outra pessoa. Será que dá pra deixar a barba crescer novamente?. Eu gosto mais de bigode com barba e, olha, você pode deixar o quão comprida quiser”… sorriso.

A barba estava à caminho e, com o peso dos bigodes fora da minha consciência, deu pra relaxar e incorporar a mulher do homem de bigode por mais alguns dias.

Até 🙂

*acessorizo: essa palavra não existe pessoal. Eu inventei pra usar no texto, com base na palavra em inglês “accessorize”, que é o ato de combinar acessórios com sua roupa. Tenho certeza que na gramática da língua portuguesa esse tipo de ação tem um nome, mas eu não lembro e pesquisando online também não encontrei.