o homem de bigode

Porque me atrevi cortar as madeixas (mesmo sabendo que a preferência dele era pra que permanecessem longas), me deparo certa manhã, com um homem de bigode circulando pela casa. “Gostou?” …. hummmm o que eu responderia. Acho que a expressão de estranheza na minha cara foi tamanha que, antes mesmo que eu tivesse tempo de elaborar uma honesta, porém polida resposta, escuto a seguinte explicação: “Temos que mudar, experimentar ser diferente não é mesmo! Você, por exemplo, mudou seu cabelo”…. hãh… Ok. Naquele momento (alfinetada) foi preciso uma dessas famosas engolidas à seco e, já que não dava pra ser sincera, pelo menos administrei uma resposta polida: “Vamos esperar um tempo e ver se consigo me acostumar” (sorriso amarelo).

Nesse caso duas verdades. A primeira: eu detestei o bigode. A segunda: sou a favor do direito de expressão em, praticamente, todas as suas formas (e, nesse caso, o bigode se encaixou como uma delas). Eu pinto a unha, uso maquiagem, não tenho sapatos e bolsas suficientes, costumo mudar a cor do meu cabelo com certa regularidade, acessorizo* minha produções com lenços, colares, brincos, pulseiras, anéis, etc… tudo pra me sentir bem e expressar minha personalidade. Ele é do tipo tênis, jeans e camiseta básico, com forte tendência a variações nos cabelos faciais, mas que, até então, se atinham aos estilos sem ou com barba e à diferentes formas e cumprimentos da mesma. Sem barba e com bigode era a primeira vez.

O homem de bigode. O “meu” homem de bigode. O meu que se tornara um estranho. Ficou quase impossível ter uma conversa séria com ele, porque eu não conseguia parar de olhar para o bigode. Com um sentimento horrível de culpa (por que eu fui inventar de cortar meu cabelo?), só me restava torcer pra alguém fazer o grande favor de ser sincero e polido no meu lugar. “Não, esse bigode não lhe caiu bem”. Mas essa sorte eu não tive.

Por cerca de duas semanas e meia eu lutei, tentei com todas minhas forças abraçar a causa do bigode na família. Me consolei com a realidade e até apoiava os discursos pró-bigode…afinal ele, o dono do bigode, é o amor da minha vida. Mas então ELA chegou, com sua falta de paciência e dramaticidade avassaladoras: TPM – a inimiga número um de maridos, namorados, irmãos, colegas de trabalho e bigodes.

Estava na hora de desabafar sobre o bigode. A conversa polida, mas não muito honesta, começou comigo reclamando do meu próprio corte de cabelo e como eu andava me sentindo feia e desinteressante (estratégia meninas). Lágrimas rolavam.

“Você parece que nem gosta mais de mim. Está distante. Fala verdade, é meu cabelo”… pobre marido, não sabia o que dizer… “O que você está falando, eu gostei do seu cabelo. Você está bonita. Todo mundo está falando bem sobre o corte”… e era verdade (modéstia a parte), mas eu ainda tinha que chegar no bigode… soluçando resolvi pular para o objeto principal do argumento.. “mas então por que toda vez que eu tento falar algo sobre seu bigode você automaticamente retruca falando sobre o meu cabelo?”… pobre marido.. “What???.. O que você quer dizer?”… bang!!! mission accomplished … Enxugo as lágrimas, me aconchego entre seus braços e … “Baby, honestamente, não está rolando. Esse bigode é bonito e tal, mas não combina com você, ou até combina, mas eu não consigo me acostumar. É como se você estivesse em outra pessoa. Será que dá pra deixar a barba crescer novamente?. Eu gosto mais de bigode com barba e, olha, você pode deixar o quão comprida quiser”… sorriso.

A barba estava à caminho e, com o peso dos bigodes fora da minha consciência, deu pra relaxar e incorporar a mulher do homem de bigode por mais alguns dias.

Até 🙂

*acessorizo: essa palavra não existe pessoal. Eu inventei pra usar no texto, com base na palavra em inglês “accessorize”, que é o ato de combinar acessórios com sua roupa. Tenho certeza que na gramática da língua portuguesa esse tipo de ação tem um nome, mas eu não lembro e pesquisando online também não encontrei.

sobre o Amor

IMG_0132O amor. Sou estranhamente obcecada por esse sentimento. Amo as manifestações de amor, em todas as suas formas. Vejo o amor como algo que pertence ao ser humano, a ponto de ser fundamental a nossa existencia. Dependemos de amor, assim como dependemos de ar, comida, de água. Triste aquele que não conhece o amor. Porém, ainda mais triste é aquele que simplesmente se fecha para o amor; aquele que não aprendeu amar com o amor que recebeu ou que, simplesmente, é egoísta demais pra aceitar que um sentimento possa ser tão forte a ponto de te fazer rever seus próprios conceitos e idéias sobre a “vida ideal”.

Amor verdadeiro quebra barreiras, encara preconceitos, suporta meses de inverno (eu tinha que mencionar isso). Amor verdadeiro encontra conforto na simplicidadede um sorriso e proteção em apenas um abraço. Quando você ama pra valer, a grande preocupação da sua vida torna-se o bem estar do outro e não mais suas conquistas.

Amor assim sabe o significado de compartilhar e entende que, nesse caso, dividir é somar. E é tão bom viver “in love”. Tipo assoviando com os passarinhos mesmo!!! … Porque parece que até quando as coisas vão mal, elas estão bem.

Por aqui, dentre os seriados que assisto e graças a invenção de Hulu e Netflix, acompanho especialmente três, todos comédia, que expressam bem o amor do qual me refiro: Modern Family, The New Normal e Up All Night (desculpem, eu não vou descrever os seriados, mas vocês podem clicar nos sites pra saber um pouco mais de cada um deles). Todos eles tem como foco principal o desenrolar do dia-a-dia e dos conflitos dentro de uma família e, embora sejam comédias, a forma como os conflitos são abordados e como se aproximam da realidade as vezes é perturbante. Adoro os desfechos narrados por um dos personagens (especialmente em Modern Family e The New Normal). Em alguns casos, sinto como se um episódio conseguisse aliviar o peso em meus ombros e o reservatório de lágrimas dos meus olhos.

O interessante é que cada um desses shows, salvo sua forma hollywodiana/california de ser, consegue passar um pouco da vida como ela é. De como quando se tem união, respeito e amor pelo outro (ou outros) as diferenças somem. Cada um é cada um. Essa é a beleza. Somos diferentes e estranhos aos olhos de uns; mas perfeitos aos olhos daqueles que realmente importam.

Até 🙂

 

qual a sua geração?

Vi este vídeo ontem e estou com ele martelando minha cabeça desde então. Olhando para o passado, do dia que graduei na faculdade, para hoje, acho que já passei por umas três gerações diferentes – X, Y, Z.. etc. Agora tem uma nova? Milenium… É isso produção? De qualquer forma, o que vale dizer, é que me senti acolhida ao assistir esse vídeo. Sou parte da geração (independente da letra que nos rotula) que caiu no mercado de trabalho ao mesmo tempo que a internet. Na minha época (aí e eu nem tenho idade pra usar tal frase) fotografia tinha que ser revelada, telefone ficava em casa e a internet era discada, geralmente usada durante a noite pra não atrapalhar o telefone. Mas tudo isso durou pouco. E é incrível como esse pouco pode também ser traduzido como rápido. Hoje em dia quero entender melhor as redes sociais, como elas interagem. Afinal, esse não só é o novo berço da comunicação, mas também é onde meu filho, muito provavelmente, manterá parte de sua vida social. Esse é um caminho sem volta (a não ser que a gente tenha um blackout cinematografico no mundo). Por isso, esse vídeo, chamou tanto minha atenção. Por isso, resolvi compartilhar com você. Minha resposta pra pergunta: SIM. Eu faço o que me faz feliz. Mas…. (porque sempre tem um mas… porque amanhã não será igual a hoje).