#trabalharemcasa: Um update da situação

Agosto.

Vou te contar logo de cara que me sinto uma trapaça. Que nos últimos meses tive dois momentos de pânico. Que sou uma mistura imperfeita entre motivação e procrastinação. Que meu nível de empatia chega ser tão alto, que ao invés de ajudar me atrapalha. Que eu bloqueio na hora de falar “não”. E que, embora meus planos estejam super atrasados e eu sinta o peso de uma culpa invisível nos ombros, aqui estou pra respirar fundo e te dizer: está tudo bem. 

Essa aí acima é a Gabi eSTRANGERa, Jornalista metida a Socióloga, um liquidificador de opiniões, conectada aos hemisférios Sul e Norte das Américas. Com ela, convivo eu, a Gabi, Dona-de-Casa assumida, reinventando a carreira enquanto, literalmente, administra a família do meio da Floresta em uma terra de “very” diferente costumes. 

Sendo assim, pra você que me acompanha, aqui vai um update do Verão: 

  • meu Desafio mensal pra te mostrar as Estações do Ano sob a minha perspectiva ainda não Rolou (mesmo assim estou colecionando fotos pro mesmo).
  • tenho uma dúzia de material gravado pra editar no Brammoto. Quando conseguirei?… saberá Gzus. 
  • também tenho uma lista de pautas pra pesquisar e escrever; e duas entrevistas que já rolaram e precisam ser escritas;
  • Prioridades né? … 😂 .. sim, eu priorizei meu “profissional”, até que …
veio a vida atropelando.

 … a Primavera e o Verão, propícios para longos passeios de moto, cortador de grama, barco, SUP, e idas à sorveteria; uma crise na saúde do Mr.; Férias Escolares (em Nárnia: 3 meses com o filho em casa. Chupa essa manga, você com filho pequeno no Brasa que conta os dias pras férias de 4 semanas acabarem).

Enfim, prioridades profissionais foram bombardeadas pela vida e outros compromissos para os quais eu não soube dizer NÃO. 

Eu sou uma Escritora sem ISBN. Uma Jornalista que só assinou Press Releases. Uma Fotógrafa frustrada. Um baú de experiências e contos profissionais que, believe me, irão te surpreender. Meu nível de confusão (mental) é tanto que, para você ter uma idéia, assinei “Creative Mind” (mente criativa) em meu último cartão profissional. 

Vim aqui de peito aberto te passar a real.

Você me deu um pouco do seu tempo, lendo o que eu escrevi, colocando um “jóinha” ou um “coraçãozinho” no meu post. Longe de mim te fazer pensar que tudo é paraíso na vida de quem escolhe “Trabalhar em Casa”. Fatos: os desafios são muitos. A começar pelo retorno financeiro, no meu caso ainda inexistente; e tem as interferências e tentações do lar (ora boas e oras ruins), por todos os cantos.

Daí que mesmo diante de toda essa bagunça, posso dizer:

está tudo bem! 

Estou em minha vida onde eu quis e quero estar. Acredito que só cheguei até aqui porque um dia entendi que Tudo não dá; que é “ok” abrir mão de um lado para receber de outros; decifrei o código dos pesos e medidas. Com fé, força de vontade, e coração do bem, tudo se encaixa e acontece na hora certa. 

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Eram quatro folhas. Continuam quatro corações. 

 

Precisamos falar sobre dinheiro

Você sabia que, de acordo com IBGE, as mulheres no Brasil recebem cerca de 33% a menos que os homens? Os motivos para que essa diferença exista são inúmeros, o que torna difícil (muito difícil) uma conversa sobre o tema sem causar polêmica, e pessoas alteradas na platéia. 

Disparidade salarial entre homens e mulheres ainda é tabu. Porque parte desses motivos são sim causados por opções das próprias mulheres – por exemplo, nós mulheres temos certa tendência em optar por profissões de menor rentabilidade – por exemplo, as proporções de gênero em uma sala de aula de um curso de Comunicação e um de Engenharia. Mas do outro lado da balança está um sistema social que sempre privilegiou os homens, dando a eles mais oportunidades profissionais e menos responsabilidades no lar. E antes que os primeiros fervorosos da platéia se levantem, vamos combinar de não entrar no assunto dinheiro doméstico, ok?! 

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Rizzo durante a AAUW-NYS Conferência, em April de 2018

Recentemente eu conheci a história de uma Matemática Americana chamada Aileen Rizzo (photo), que descobriu em uma “conversa de corredor” que seu colega de trabalho – recém contratado e com menos experiência e formação que ela – já recebia $13 mil a mais, por ano.

 

Em princípio, a Aileen não quis acreditar e chegou a confrontar seus superiores para saber mais informações. Na época, com duas filhas pequenas, uma terceira a caminho, e sendo a principal fonte de renda da família, ela ficou em dúvida sobre o que fazer.

Mas, segundo ela mesma conta, foi justamente por suas filhas, que a Aileen encarou uma briga com o Departamento de Educação do Condado de Fresno, na California, e em April de 2018, quase 7 anos depois, saiu vencedora.

Clique aqui para saber mais sobre a história da Aileen. (em inglês)

De volta ao tema, quero te perguntar uma coisa:

Você fala sobre salário com seus colegas de trabalho?  

Você sabe quanto eles ganham?

Tenho a impressão de que se você está lendo esse post, é porque já andou fuçando no eSTRANGERa. E se isso aconteceu, nos identificamos. E se nos identificamos, talvez você já tenha ouvido essa frase em algum momento da sua vida:

“Não é educado falar sobre dinheiro”. 

Ouvir a história da Aileen me fez confrontar minha própria história, e minha relação com “a conversa sobre dinheiro”. Eu tenho essa hipótese de que grande parte de nós mulheres, vivas e ativas na sociedade, pertencemos a uma geração que aprendeu, talvez ainda na barriga de nossas mães, que “não devemos falar sobre dinheiro”. 

Não devemos, por quê? Quem foi que falou isso? Por que não é educado perguntar sobre dinheiro, estabelecer nossos limites, e o valor de nosso trabalho? Por que não perguntar?

Daí que se hoje, ainda, brigamos por oportunidades iguais, é porque, entre outras coisas,  já passou da hora de colocar a questão do pagamento, do salário, do rendimento, do valor da sua hora, na mesa. Em cartas claras e limpas. Temos que falar sobre dinheiro. 

Mais que isso, temos que ensinar as mulheres a falar sobre dinheiro, sem medo e sem culpa. Temos que quebrar o tabu. É preciso entender que ainda estamos presas a um condicionamento cultural que não tem espaço em uma sociedade, na qual mais de 40% dos lares é chefiado por mulheres.

Se ainda existe uma tremenda diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil, falar sobre dinheiro no ambiente de trabalho – assim como já falamos sobre o final de semana ou o preço da carne no supermercado – talvez seja um dos passos a caminho da igualdade.

 

Uma semana de “look do dia”

Outro dia postei um “look do dia” no meu Instagram e tive uma baita surpresa com o retorno no meu feed. Não sou entendida de moda, mas eu adoro moda. Por isso, fico antenada às tendências, e tento conciliar minhas peças com o que é atual e ao mesmo tempo funciona pra mim.

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Esse foi o look sucesso no Insta: maxi saia e camisa Denin (Target), e minha mochila/escritório da Martha Stewart para a Staples.

Acontece que morar no meio da floresta não ajuda ser muita eclética na moda. Nos últimos anos, percebi que o guarda roupa ficou mais prático, e ao mesmo tempo menos colorido e menos variado. Minhas preferências são os sapatos baixos e sem salto, botas, tenis, jeans, leggings, e muito preto.

Trabalhar em um ambiente informal facilita nas escolhas, mas é claro que bom senso é necessario: não dá pra ir encontrar cliente com roupa de academia, por exemplo né.

Enfim, resolvi brincar com isso de “look do dia” e durante a semana me fotografei pela casa para registrar minhas escolhas de “outfit” e como coordeno minhas roupas na hora de sair com a família, de ir andar de moto, de trabalhar, e até para limpar a casa. O resultado foi super interessante – e bem azul (para minha supresa).

Looks da semana

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Sábado: calor, churrasco, playground.
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Domingo: calor e Memorial Day Parade (look de quermesse durante o dia)
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Segunda: dia de “ameliar” pela casa.
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Terça: almoço e reunião informal, mas fui de moto. A calça nessa foto é uma legging bem pesada, revestida de Kevlar, que é um material resistente a abrasão. Nesse look ainda rolou uma jaqueta.
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Quarta: look para passear de moto e capturar imagens para o BRAMMOTO.net. Essa é uma calça da Carthart, que eu comprei um tamanho maior, pra conseguir usar com a legging de Kevlar da foto acima por baixo. Só dá pra usar assim quando não esta super calor (normal aqui em Nárnia)
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Quinta: compromisso na escola do filho. Ser um dos Monitores durante o passeio no Zoológico.
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Sexta: muito calor + faxina = música pela casa e pouca roupa (por que não?)

 

Resultado

Essa brincadeira me deixou mais conectada ao meu guarda-roupa, e também plantou uma sementinha nas minhas intenções: a de ficar um ano sem comprar roupa.

Ai ai ai…. ainda é semente. Não sei se eu consigo. Minha cunhada morreu de rir quando eu contei, e meu cunhado sugeriu que eu comece por meses – “Faz uma intenção de três meses, e depois vai aumentando”, ele falou rindo -.

Brincadeiras e intenções a parte, brincar de “look do dia” foi um exercício super divertido para aprender me posicionar com a camera do celular, usar a luz da casa e os espelhos em meu favor, e ver o que funciona e o que não funciona para o tipo de corpo que eu tenho e o estilo de vida que levo.

Que tal você se desafiar também? Fotografa uma semana dos seus “looks”e veja no que dá. Não precisa compartilhar, faz pra você e depois conta o resultado pra gente. Topa?

Até a próxima 😉