Nestes muitos fevereiros…

… entendi que a paixão é fogo que arde a pele, que cega,

e desnorteia o pensamento.

Entendi que é preciso deixar o tempo falar, curar as feridas. Amadurecer.

Compreendi que amor não se “acha” na esquina, mas é como uma planta e deve ser cultivado a partir de sua semente.

Como adubo muito respeito. Gratidão para crescer.

Ao meu amor serei honesta. Porque trair esse sentimento seria o mesmo que trair a mim mesma. E àqueles a quem dedico meu amor: minha amizade, minha cumplicidade, meu respeito.

Assim como um dia escreveu o poeta:

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes – “Soneto da Fidelidade”

… e ele caiu no gelo

Meu filho é dessas crianças movidas a um desafio pessoal. Ele não se conforma em não saber algo que outra criança parecida com ele faz (eu grifei “parecida” porque quero esclarecer: estou me referindo à aparência física: mesma altura, cor de cabelo, olhos.. não, necessariamente, idade). Foi assim que ele começou andar, falar, e foi assim que ele começou falar português (só comigo que não).

Ano passado o levamos, pela primeira vez, pra patinar no gelo – ice skating. Ele   adorou. Mas patinar mesmo… não rolou. Especialmente porque, por aqui, as arenas de patinação – rinks – oferecem uma espécie de andador para as crianças se apoiarem, com isso, minha pequena pessoa só quis se pendurar no negócio sem tentar equilibrar. Acontece que esse inverno … a arena onde costumávamos ir, e podíamos alugar os patins, entrou em reforma e não abrirá. As outras arenas das região estão abertas em horários limitados para o público, mas não oferecem aluguel de patins. Com isso, só as pessoas que têm o costume de patinar e, por isso, investem em um par de patins, é que as frequentam.

Let’s just say: atualizamos os equipamentos esportivos da casa.

children-ice-skating-md.pngEnfim… hoje foi a segunda vez que o levei pra patinar. E antes de mais nada, deixa eu explicar uma coisa: os patins do meu filho têm duas lâminas, porque penso que ele precisa sentir-se confortável no gelo primeiro antes de sair fazendo manobras e pulos. Pudemos – nós, os pais – notar a diferença na “patinação” dele, já na primeira vez.

Hoje, bom hoje, como eu disse, foi a segunda vez que o levei pra patinar… Hoje voltei pra casa pensando que logo terei de investir na atualização dos equipamentos esportivos novamente, com um minúsculo patins de uma lâmina. Tudo por conta de um menininho de 6 anos, chamado Jaiden, que patina linda e loucamente, e hipnotizou meu menino de quatro.

Impressionante como crianças agem por exemplo. Até o momento em que aquele garotinho entrou no rink, meu filho estava na maior preguiça de tentar. Como a maioria das pessoas ali eram estranhas, ele optou por observar sempre apoiado no andador. Mas quando o Jaiden entrou no gelo – zum, zum, zum … juro que vi a “Formiga Atômica” (do desenho), correndo de lá pra cá, dançando entre os outros patinadores, um mini-hockey-player. Naquele momento, praticamente mágico, o feitiço se quebrou. Meu menino começou a andar na direção do Garoto, determinado em se tornar “his friend” e brincar com ele.

Foi assim, por outros 40 minutos. Mas daí, ele já estava andando, caindo, correndo de patins por uma arena de gelo lotada sem sequer lembrar daquelas m**** de andadores.

… você tem alguma história de seu/seus filhos parecida? Como lidam com os desafios e com os aprendizados da vida?

Até 🙂

2015

Penso nos olhares. Quantos olhares lindos tive a oportunidade de apreciar no ano de 2015. Olhares de encantamento, desses cheios de brilho. Olhar de criança quando vê algo que toca a alma pela primeira vez. Olhares que criam memórias, com cheiro e brisa.

Lembra de quando tomou chuva pela primeira vez? A dúvida de quem não sabe muito bem porque a água está caindo do céu, mas e daí… o legal é poder molhar a roupa sem culpa. Então! Em 2015 eu vi duas moças, lindas, vivenciarem neve e frio pela primeira vez. Vi como o encantamento anestesia os sentidos, faz com que a gente se esqueça do frio só pra sentir um floco de neve na ponta da lingua ou, melhor, rolar nessa “areia” branca.

Também acompanhei um novo casal, passeando em Lua-de-Mel, estruturando seus sonhos e o futuro juntos. Testemunhei o encantamento no olhar de quem navega pelas águas do St. Lawrence pela primeira vez. A água azul no leito do Rio, que divide Estados Unidos e Canadá nessa parte dos países, ornamentada por lindas casas, ilhas como pequenas vilas, embarcações de todo porte dividindo espaço; homem e natureza vivendo em harmonia e respeito. Uma realidade, infelizmente, ainda distante daquela a qual nos acostumamos em nossa terra natal.

Em 2015, eu ouvi. Ouvi meu passarinho cantar em português conversas inteiras. Conectar com seus pares. Eu ouvi o choro de um bebê sendo batizado, e também o de uma mãe com saudade, e ainda o choro suado da conquista. Quase no final do ano, minha amiga deu a luz no banco da frente do carro, a caminho da maternidade.

O sabor de 2015 foi intenso. Das grandes sensações culinárias finalmente dominei uma receita de pão de queijo, de bolo de cenoura com aquela cobertura de chocolate e açúcar, e escondidinho de camarão (hüh… quem diria hein). Eu e o Barret acabamos elegendo o Bella’s, em Clayton NY, como o nosso escape de verão – cada um com uma caneca do lobster bisquê e meio sanduíche de crabcake BLT. E só pra encerrar, ainda descubro essa super “boutique” de azeites, também em Clayton NY, chamada The 1000 Islands Cruet.

O tempo em 2015 foi bem dos malucos. Extremos nos hemisférios. Em um calor infernal e no outro frio polar. Sim passei frio em 2015. Pra falar a verdade, passei um frio inimaginável. Fevereiro inteiro abaixo de zero. Traumatizei.

Ainda xeretando na memória, vejo que em 2015 aprendi a me olhar e me aceitar melhor, com minhas neuras, mania de limpeza, amor incondicional aos meus meninos, vontade de escrever mais do que eu escrevi (vide este blog abandonado),  etc. Aos poucos vou decifrando minhas amarras. Em 2015 teve nova tatuagem, carteira de motocicleta e um violão.

Mas a saudade, essa ainda pega. E ainda assim parece existir só pra me ensinar que sua presença é sinal de felicidade, de momentos que valeram e de pessoas que são meus tesouros.

Saudade é o pulo do coração quando permitimos nossa memória trazer a tona os bons sentimentos. 

Que em 2016 nada mude, especialmente esse processo de descobertas. Que apareçam novas sensações pra registrar na memória, mais visitas pra dividir uma xícara de café ou uma noite na fogueira, mais vento no rosto, mergulho no rio, pelo menos uma música inteira no violão e, quem sabe, mais textos.

Até 😉