Maçã do Amor: uma reflexão sobre doces, memórias, e a Geração Z (parte 1)

Era noite de Halloween aqui em Nárnia. Uma típica noite de Halloween dessas de filme: escura, fria, com aquela chuvinha fina que vira névoa. Uma noite mais convidativa para ficar em casa, debaixo de uma coberta, com o foguinho da lareira faux complementando a iluminação ambiente.

Visual: Uma casa de madeira de dois anderas e sotão, moldada pela folhagem da arvore de mapple no jardim. Não tem muros ou grades. A casa fica no topo de um gramado. É um final de tarde de céu azul.

Porém: adolescentes!
E se você os tem por perto, saberá o que está por vir. É claro que o frio, o escuro e o chuvisco não os impediriam de caminhar pelas ruas da vizinhança entre máscaras e decorações que misturam o macabro e o fofo em busca de doces ou travessuras.

Pois então, nesse caso, eu não seria o impedimento.

Aqui em casa, já há algum tempo, entramos na fase em que os pais não precisam acompanhar a criança no passeio do Halloween. Então, às 18:25 daquela noite, soltamos “nossa” criatura junto aos demais.

Com o discurso de sempre: “_ Respeite o próximo. Presta atenção na rua. Qualquer coisa liga que estamos por perto. Não seja nem faça nada estúpido, ok?! Te amo!”

Dessa vez, o plano era de que eles viriam pra cá depois do truque ou travessura. Pizza. Filme. E a degustação dos doces arrecadados. Trocando para o linguajar deles, nossa casa seria o “hang out”!

Era pouco mais de 20:30 quando, pela porta da garagem, seguindo meu adolescente vestido de Soldado do Apocalipse entram em casa uma Pantera, uma Creeper (do Minecraft), e um Boy dos anos 80. Todos ensopados e, consequentement, congelados, mas cada um segurando uma sacolinha de doces. Por último, entrou o Barret, seco e com as pizzas.

Eles falavam alto, riam, contavam flashes das últimas duas horas na rua, do encontro com os amigos, das casas. Eu, que continuava quentinha aconchegada no sofa ao lado da lareira, levantei pra dar boas vindas ao grupo e pegar um pedaço de pizza.

Meu coração, que já estava feliz com a cena na copa e na cozinha, mal sabia o que ainda estava por vir.

Uma maçã do amor.

Vou te contar uma coisa sobre mim: sou fanática por maçã do amor, e tem que ser da vermelhinha. Sempre que posso, experimento uma. Tenho um ranking das melhores do mundo (baseada nos lugares onde já fui). Aquela da esquinha, no semáforo entre a Ademar de Barros e a Hugo Sarmento em São João (da Boa Vista, SP), ocupou por décadas meu pódium; mais do que o sabor – uma combinação perfeita entre o doce e a expessura da casquinha de açúcar com o azedinho da maçã – essa de São João carrega muita memória afetiva. Isabel! … Acho que o nome da mulher que fazia as maças era Isabel.

Acontece que, depois da última noite de Halloween, ela pulou para a segunda posição, que até antes estava ocupada pela maçã do amor no DisneyWorld – essa com uma proporção desbalanceada entre a expessura da casquinha e a maçã, porém com apresentação “quase” impecável, que entrega nas memórias da experiência.

E, daí, vem a maçã do amor das senhorinhas aqui de Nárnia. As senhorinhas na casa próxima a caixa d’água. Casa de livro. De filme. Fotografia que retrata uma perfeita noite de Halloween.

Essa maçã do amor entrou para um ranking flutuante, tipo nem-nem: nem no primeiro, nem no segundo, e também nem no terceiro lugar. Por unir o sabor da combinação perfeita entre doce e expessura, mais a experiência para conseguir um exemplar. E aqui, eu preciso explicar que essa é uma casa que mantém a tradição de entregar guloseimas feitas em casa, nada de doces embalados e industrializados. Além de maçã do amor, elas fazem bolas de pipoca caramelizada, brownie e cookies, e oferecem maça fresca, colhida do pé no quintal. Como o halloween cai durante o Outuno, as árvores estão trocando de cor, dando ainda mais contraste às noites frias; e as macieiras estão carregadas fazendo dessa a estação de cidras, tortas, e marinados.

Eu experimentei uma dessas maçãs do amor quando meu adolescente, ainda criança, foi de Exterminador de Futuro no halloween e, encantado com um KitKat não quis a única maçã da cesta. Foi amor a primeira mordia. O sabor da minha memória desbloquado. Com o frescor e vigor de uma fruta que, literalmente, fora do-pé-pra-calda.

Dali em diante, se o meu filho estivesse pelas ruas do vilarejo em noite de halloween, eu pedia que me trouxesse uma maçã das senhorinhas. Isso se eu não estivesse junto. Porque nesse caso, eu mesma ia até a varanda delas pedir uma.

Enfim, foram anos de zumbi, star-wars, e muitas variações com máscaras, capas, e chapéus, até que chegamos na noite de Halloween passada, dia 31 de Outubro de 2025.

Meu coração feliz: eles vieram pra cá to hangout.

Minha barriga, com fome, pediu um pedaço de pizza e eu sai do sofá pra participar do do rebuliço ao redor da comida.

Esse Halloween eu não fui. Não busquei. Não sai de perto da lareira. E, por estar cortando açúcar na minha alimentação, nem mencionei a maçã do amor das senhorinhas pro meu filho. E aí, enquanto me distraía entre escolher uma fatia de queijo ou pepperonni, o menino de máscara e capecete se aproxima e tira da sacola um saquinho de plástico amassado, grudado àquela fruta perfeitamente encrostada em uma camada de açúcar com corante vermelho _ “Pra você.”

Ouve um breve segundo de silêncio na cozinha. Expectativa. A Pantera, o Boy 80’s, a Creeper, e, claro, o Barret focaram em mim, com a respiração presa, já alertados para a possível (praticamente certa) reação subsequente. E, obviamente, não os desapontei.

Tenho amanhã pra pensar no açúcar. Comi pizza e, de sobremesa, apreciei minha maçã do amor enquanto revia meu pódium das melhores provadas até então. E aí que, essa pulou para a primeira colocação por me dar uma memória afetiva que trata de amor, de cuidado, e de atenção e combina tudo isso com um sabor proporcionalmente impecável.

E eu poderia terminar por aqui, feliz, realizada, sentindo que minha contribuição para o mundo está no caminho certo. Porém, a noite ainda me guardava outras surpresas.

Continua …

Com a barriga e o coração satisfeitos, fui tomar banho. A gente, os adultos, se retirou e deixou que os adolescentes continuassem seus planos. E esses planos envolviam ficar por perto da lareira pra aquecer os ossos.


Maturidade: a Geração Z é o Futuro

Na parte 2 desse texto, eu te conto sobre o que aconteceu na próxima hora da noite de halloween. E aproveito pra compartilhar outro momento da maternidade enquanto tento responder essa pergunta que veio como sugestão de pauta.

Tá procurando um podcast interessante pra ouvir, treinar o seu inglês, e ainda aprender uma parte da história super interessante?

Procura esse episódio do The Kitchen Sisters Presents, que fala sobre os imigrantes libaneses no Mississipi Delta e parte de sua influência na cozinha e na música da região.

Eu acho muito curiosa a participação da cultura e do povo Libanês nos países ocidentais, precisamente, as Américas como um todo. E como, embora muito prominente e importante, mantêm-se discreta e quase que imperceptivel.

E esse episódio, que embora fale sobre um lugar que eu nunca estive, me colocou dentro de casa.

Até a próxima. 🙂
G.D.Hoover

Música para os olhos

Gente… vou ter de usar um clichê aqui e dizer que “sou do tempo”. Isso porque hoje me encontrei no céu. Eu conheci Vevo. Esse canal de música e video clips. Tipo: a nova MTV (e agora, quem é do meu tempo sabe sobre o que estou falando).

Vevo_MusicEyes-710x434Adorava ver os videos. E ainda adoro. Especialmente quando já imaginei algo pra aquele som e aí assisto a visão de outra pessoa, compreendo a letra, o contexto dos versos. Acontece que as emissoras populares de música se transformaram nos últimos anos. Mudaram seu perfil, seu público, e, consequentemente, a programação. Em alguns países, eles até se extinguiram. Não exatamente.

Porque, ao acompanhar as transformações e as tendências de um mundo mais conectado, essas emissoras se transformaram em canais digitais, trocaram sua plataforma e vivem na internet. Eu, que sou do tempo em que a MTV tocava música (entendeu agora) demorei um pouco pra me reconectar e, enfim, me encontrar.

Então.. eu descobri o Vevo hoje (até então sempre acessava pelo YouTube) e, pode pensar o que você quiser, sou do tipo que acredita no “antes tarde do que nunca”.

Agora #ficaadica pra quem quer quer conhecer … e meus dedos dançam no teclado.

Até 😉