2

Sobrancelhas rebeldes

Logo que mudei para os EUA, ainda vivendo o entusiasmo do novo, senti uma falta enorme dos serviços de beleza que temos tão próximos e acessíveis no Brasil. Cabeleireiro, depilação, manicure, e alguém que fizesse minha sobrancelha competentemente. Eu tenho sobrancelhas cheias, que crescem rápido, e que precisam de um amor profissional de tempos em tempos. Senti muita falta do Cássio Rios, desenhando e modelando minha taturana preferida.

É claro que nos grandes centros urbanos americanos a oferta por esses serviços é maior e consequentemente os valores menores, uma vez que existe concorrência. Mas eu vim pra morar na zona rural, numa realidade americana diferente daquela que habita nosso universo imaginário. Por aqui*, é muito comum que a sobrancelha seja desenhada com cera, o que não é nada recomendado, e ainda custa algo em torno de $25.00 (affffff)

Então fui me virando do melhor jeito possível: pinça, navalha, cremes… mas, aos poucos, aquele visual primeira metade dos anos 1990 (Malu Mader lembra alguma coisa) estava voltando.

Durante esse tempo todo, eu via uns quiosques de Threading pelo shopping. Threading é uma técnica de remoção de pelos com uma linha, é muito comum nos países do oriente médio. A técnica é super eficiente, modela sobrancelhas lindas, não faz mal pra pele, e é muito mais em conta que a sobrancelha feita com cera. Infelizmente, por um bom tempo, minha atitude “nem a pau que vou sentar no meio do shopping, com todo mundo passando, pra fazer a sobrancelha” me impedia de experimentar. Até que um dia não deu mais. Era preciso dar um jeito. Engoli o orgulho (porque sou orgulhosa mas adoro um bom negócio) e sentei na cadeira da Chayna.  Cinco minutos depois… estava linda, leve, solta… com sobrancelhas de atriz de Bollywood.

FullSizeRender

Dá uma olhada no YouTube, tem um monte de vídeo bacana lá mostrando Threading.

Então #ficaadica pra você que acabou de se mudar e ainda está penando para encontrar serviços que compensem o investimento. Quer sobrancelhas lindas, procure alguém que faça Threading #treading. É um pouco dolorido, super tolerável. Eu acho que o buço é o que dói mais (lágrimas involuntárias costumam sair dos meus olhos). O resultado final vai te surpreender.

Até 🙂

* Nos EUA, cada estado possui regras diferentes quanto a regularização e certificação dos prestadores de serviço, eles tem independência em relação ao Governo Federal. O Estado de Nova Iorque é um dos estados mais rigorosos para certificação. Os profissionais de beleza precisam de licenças específicas e recebem visitas frequentes de fiscalização. Essas medidas garantem o bem estar e a segurança dos consumidores, mas também pesam no bolso dos prestadores de serviço. E, como uma coisa puxa a outra, a segurança também afeta o valor do serviço oferecido. 

 

0

o homem de bigode

Porque me atrevi cortar as madeixas (mesmo sabendo que a preferência dele era pra que permanecessem longas), me deparo certa manhã, com um homem de bigode circulando pela casa. “Gostou?” …. hummmm o que eu responderia. Acho que a expressão de estranheza na minha cara foi tamanha que, antes mesmo que eu tivesse tempo de elaborar uma honesta, porém polida resposta, escuto a seguinte explicação: “Temos que mudar, experimentar ser diferente não é mesmo! Você, por exemplo, mudou seu cabelo”…. hãh… Ok. Naquele momento (alfinetada) foi preciso uma dessas famosas engolidas à seco e, já que não dava pra ser sincera, pelo menos administrei uma resposta polida: “Vamos esperar um tempo e ver se consigo me acostumar” (sorriso amarelo).

Nesse caso duas verdades. A primeira: eu detestei o bigode. A segunda: sou a favor do direito de expressão em, praticamente, todas as suas formas (e, nesse caso, o bigode se encaixou como uma delas). Eu pinto a unha, uso maquiagem, não tenho sapatos e bolsas suficientes, costumo mudar a cor do meu cabelo com certa regularidade, acessorizo* minha produções com lenços, colares, brincos, pulseiras, anéis, etc… tudo pra me sentir bem e expressar minha personalidade. Ele é do tipo tênis, jeans e camiseta básico, com forte tendência a variações nos cabelos faciais, mas que, até então, se atinham aos estilos sem ou com barba e à diferentes formas e cumprimentos da mesma. Sem barba e com bigode era a primeira vez.

O homem de bigode. O “meu” homem de bigode. O meu que se tornara um estranho. Ficou quase impossível ter uma conversa séria com ele, porque eu não conseguia parar de olhar para o bigode. Com um sentimento horrível de culpa (por que eu fui inventar de cortar meu cabelo?), só me restava torcer pra alguém fazer o grande favor de ser sincero e polido no meu lugar. “Não, esse bigode não lhe caiu bem”. Mas essa sorte eu não tive.

Por cerca de duas semanas e meia eu lutei, tentei com todas minhas forças abraçar a causa do bigode na família. Me consolei com a realidade e até apoiava os discursos pró-bigode…afinal ele, o dono do bigode, é o amor da minha vida. Mas então ELA chegou, com sua falta de paciência e dramaticidade avassaladoras: TPM – a inimiga número um de maridos, namorados, irmãos, colegas de trabalho e bigodes.

Estava na hora de desabafar sobre o bigode. A conversa polida, mas não muito honesta, começou comigo reclamando do meu próprio corte de cabelo e como eu andava me sentindo feia e desinteressante (estratégia meninas). Lágrimas rolavam.

“Você parece que nem gosta mais de mim. Está distante. Fala verdade, é meu cabelo”… pobre marido, não sabia o que dizer… “O que você está falando, eu gostei do seu cabelo. Você está bonita. Todo mundo está falando bem sobre o corte”… e era verdade (modéstia a parte), mas eu ainda tinha que chegar no bigode… soluçando resolvi pular para o objeto principal do argumento.. “mas então por que toda vez que eu tento falar algo sobre seu bigode você automaticamente retruca falando sobre o meu cabelo?”… pobre marido.. “What???.. O que você quer dizer?”… bang!!! mission accomplished … Enxugo as lágrimas, me aconchego entre seus braços e … “Baby, honestamente, não está rolando. Esse bigode é bonito e tal, mas não combina com você, ou até combina, mas eu não consigo me acostumar. É como se você estivesse em outra pessoa. Será que dá pra deixar a barba crescer novamente?. Eu gosto mais de bigode com barba e, olha, você pode deixar o quão comprida quiser”… sorriso.

A barba estava à caminho e, com o peso dos bigodes fora da minha consciência, deu pra relaxar e incorporar a mulher do homem de bigode por mais alguns dias.

Até 🙂

*acessorizo: essa palavra não existe pessoal. Eu inventei pra usar no texto, com base na palavra em inglês “accessorize”, que é o ato de combinar acessórios com sua roupa. Tenho certeza que na gramática da língua portuguesa esse tipo de ação tem um nome, mas eu não lembro e pesquisando online também não encontrei.

0

de unhas prontas

foto de unha não convencional pra combinar com o esmalte mais prático do mundo

foto de unha não convencional pra combinar com o esmalte mais prático do mundo

Aqui vai uma dica legal pra quem gosta de unha bonita e não tem muito tempo pra esperar esmalte secar: a nova linha “Salon Effects” de apliques, da Sally Hansen®. Os apliques são confeccionados com esmalte de verdade (até o cheiro é o mesmo), duram pelo menos uma semana, são práticos de colocar e dão um efeito super bonito na unha.

Pra quem mora por aqui ou pra quem está de viagem marcada pra cá vale a pena parar em qualquer super farmácia ou nos hipermercados e estocar nos produtos. A linha oferece cores sólidas e diversas opções em “nail art”. Em 30 minutos você estará de manicure pronta.  Depois, quando chegar a hora de tirar, é só usar acetone ou removedor de esmaltes.

A Sally Hansen® oferece, ainda, um monte de outras opções pra manicure, pedicure e beleza. Além dos vários tipos de esmaltes, a marca tem produtos pra facilitar a hora de deixar as mãos e pés lindos – de creme que “derrete” a cutícula até spray de bronzeamento para pernas (eu já testei e adorei). Um dos grandes hits da marca no momento são os kits com luz UV para unhas gel, que você irá encontrar nas versões pra esmalte ou pra “nail strips” (que são os apliques).

Pra saber mais confira o site da Sally Hansen® e se estiver interessada ou interessado em algum produto me escreva. Até 🙂

0

lições de inverno

quintal de açucar

quintal de açúcar

Um dos meus principais desafios nessa vida norte-americana é enfrentar o rigoroso inverno de Nárnia*. Essa noite, por exemplo, os termômetros já marcam -19˚C e a previsão é de que essa temperatura caia ainda mais. Dentro de casa, tudo lindo. O sistema de aquecimento é excelente, uma vez que as casas são construídas tendo como uma de suas prioridades um bom isolamento térmico; necessário não só pra manter residentes aquecidos, mas, também, para evitar altas contas de gás (necessário para o sistema de aquecimento). Informações técnicas à parte, o ponto é que é mesmo muito difícil passar por praticamente 6 meses de frio intenso. Mais difícil ainda quando se tem uma criança… porque, entendam, o problema não é a criança passar frio, o problema sou eu – totalmente desinformada dos costumes – colocar roupa demais na criança e fazer com que ele comece transpirar loucamente no meio da neve. O aprendizado nessa situação é constante e nada melhor do que ter bons amigos e vizinhos pra ajudar.

Esse ano entro em meu quarto inverno. E o que no início era um verdadeiro calvário agora já me traz muitos sorrisos. No fundo, o aprendizado torna os meses de inverno mais divertidos e muito mais interessantes. Somos como crianças que estão aprendendo a andar. É preciso descobrir as tradições do frio. Aprender os esportes. Retirar o sapato cada vez que você chega na casa de alguém (para não deixar a casa toda suja com a neve que veio na sola e vai derreter). Estocar comida, principalmente quando se vive mais isolado dos grandes centros (porque se vem uma nevasca é melhor ficar em casa por alguns dias a dirigir no meio de tanto gelo). Não se importar com o estado estético do carro e dar prioridade para veículos com tração nas quatro rodas. A gente aprende que, a não ser que você fique do lado de fora por muito tempo, mesmo com as temperaturas congelantes não é preciso muita roupa. Aprendemos, ainda, que uma boa bota de inverno não é a mais bonita, mas sim aquela que mantem seus pés aquecidos, secos e ainda evita escorregões; descobrimos o poder fashion de chapéus, toucas, boinas, luvas e lenços. Também aprendemos retirar neve com a pá (por sinal, um ótimo exercício pra queimar calorias), passar snowblower (máquina que “assopra” a neve do caminho) nos arredores da residência; e a deixar um cobertor e um scraper (ferramente pra limpar gelo e neve dos parabrisas) no portamalas do carro. E na minha lista particular desse ano estou descobrindo as “delícias” de paramentar uma criança para brincar na neve… tente colocar uma luva em uma pessoa de um ano e meio e depois me conte sobre experiência.

clássico “cherry ChapStick”

Ah… e o grande must have das temperaturas baixas: ChapStick. Esse bastãozinho, muito similar a um baton, faz milagres pra sua boca. Qualquer farmácia, supermercado, lojinha de aeroporto, gift shop, banca de revista, enfim.. qualquer lugar vende. São baratinhos e ajudam demais. São unisex. Vai no bolso, na bolsa, na carteira, onde couber e estiver ao alcance das mãos. Vale a pena. Por isso, se alguém vai passar uma temporada nessas bandas, trate de adquirir o seu antes de colocar o nariz pra fora.

E embora o inverno nessa parte do hemisfério norte seja muito rigoroso, ele deixa pra quem vive aqui e, principalmente, para àqueles que vem de fora, uma grande e importante lição: a de que a natureza é sábia e por isso deve ser apreciada. Mais bacana que ver as crianças em guerras de bola de neve num snowday (quando as aulas são canceladas, para evitar que os onibus escolares trafeguem com estudantes no asfalto escorregadio); é ver a vida voltando pós hibernação, ver as árvores que pareciam mortas florirem novamente. Legal ver como qualquer motivo é desculpa pra se estar outside.  Essa é a terra do picnic, das gincanas, de parques, de camping, do Zé Colméia. Se o inverno americano é muito do que vemos na Tela Quente de Natal, a primavera e o verão são exatemente os filmes da Sessão da Tarde durante as férias de julho.

*Nárnia – costumo referir à região onde moro como Nárnia, da série “As Crônicas de Nárnia”.

Essa região, Northern NY,  especialmente durante o inverno, me lembra algumas cenas do filme 🙂