Sobre ser um profissional no lar

Como é prático acordar, tomar meu café, despachar meu filho de ônibus pra escola, cuidar dos rituais da manhã e, então, caminhar (muitas vezes de meias) até o cômodo da casa que, carinhosamente, denominei “lair” (lé-ar), que em inglês quer dizer toca. Visto calças de moletom, um suéter em lã, e pantufas, mas vou maquiada, com o cabelo arrumado, e uma garrafa térmica com café. Tenho pela frente uma jornada de 5 horas de trabalho, que varia para mais ou para menos conforme a pauta.

As vezes, no meio do expediente, aproveito para colocar um cesto de roupa pra bater na máquina de lavar, refogar o jantar, e dar uma caminhada com o cachorro.

Tudo muito prático, lindo, ótimo! Não fosse o fato de que enquanto coloco a roupa na máquina percebo que o chão está imundo, a privada precisa ser limpa, e acabou minha cebola. O telefone apita, e então descubro, via texto da escola, que as crianças estão voltando pra casa porque tem uma tempestade se aproximando.  E eu ainda nem levei o  cachorro pra caminhar. Puff… a bolha da criação explodiu. E assim, meus amigos, percebo que o dia no escritório já era. fullsizeoutput_5e69

Pois é, se você é um profissional no lar, sei que você me entende.

Estabelecer uma rotina de trabalho em casa é complicado, mas não impossível. Só que não existe formula, porque envolve ajustes em três setores da nossa vida: o profissional, o pessoal, e o doméstico.

Trabalhar em casa é uma tendência no mundo inteiro. No Brasil, em particular,  sinto uma vibe de mudança em relação ao profissional independente, que oferece seus conhecimentos e serviços a partir de um hub doméstico. 

O problema em trabalhar de casa, é que pra muita gente por traz dos benefícios e da  praticidade, estão disfarçados obstáculos de uma rotina doméstica. Entende? Esses não são obstáculos exclusivos daqueles que ainda tem que cuidar de filhos, eles valem pra todo e qualquer profissional que opta por trabalhar em casa.

Mas que obstáculos são esses? 

Justamente por serem obstáculos de ordem doméstica, esses são de ordem privada, ou seja, cada um tem uma experiência diferente. Além do fator geográfico, que pode interferir no ambiente e condições de trabalho.

Por exemplo: aqui nos EUA, não é comum contratar serviços domésticos; já no Brasil a realidade é outra, tornando mais comum a contratação de alguém para os serviços domésticos. Daí que, pensar no tempo que será dedicado aos afezeres domésticos pode ser importante na hora de pensar uma escala semanal de horas trabalhadas. Por outro lado, o acesso a tecnologia e a prestação de serviços em áreas como internet e telefonia aqui nos EUA é bem superior, o que facilita às condições de trabalho.

Além disso, um erro gravíssimo é pensar nas tarefas domésticas como parte do trabalho em casa. Infelizmente, esse debate ainda passa por questões de cunho cultural e desigualdade de gêneros. Como dito no vídeo acima, as tarefas domésticas, devem ser de distribuídas entre todos que vivem sob o mesmo teto.  Nesse quesito, a mulherada ainda fica na pior (realidade dura, nua, e crua), porque em nossa maioria fomos pré-programadas pra cuidar do lar.

Em casa dividimos, mas eu tenho o volume maior de tarefas por dois motivos: 1. sou chata e tem coisa que eu gosto de fazer do meu jeito; 2. o Mr. é o principal “fazedor de finanças” da família e ele trabalha em esquema de plantão com horário não flexivel.

Vamos falar sobre Disciplina

Desde que coloquei o tema #trabalharemcasa na pauta do meu Instagram, recebi 11 emails, directs, e comentários de amigos e familiares sobre o tema. Embora as opiniões sejam diferentes, um fator comum prevaleceu: DISCIPLINA.

Seria disciplina a chave do nosso mistério? … lembre-se, esse texto é uma reflexão. Dito isso, vamos voltar a ela.

Pense o seguinte: se ao invés de profissionais liberais fossemos atletas profissionais, provavelmente seríamos detentores de troféus e medalhas, conquistados com muito sangue, suor, e lágrimas. Em outras palavras: muita Disciplina, especialmente para manter seu compromisso com a ROTINA de treinos. fullsizeoutput_5e6f

No meu caso, pensar e organizar uma uma rotina semanal de trabalho e afazeres, tem me ajudado (e muito)  manter minha disciplina em relação a trabalhar em casa.

No entanto, chegar até aqui foi, e continua sendo, um processo (mais ou menos 6 anos se você estiver curiosa/curioso). E, no meu processo, precisei sentar e ter uma conversa profunda e conscientizadoras com meu filho e marido sobre minha nova rotina, meus horários de trabalho, e a importância de não ser “interrompida” quando estou em momento de criação. A palavra chave aqui foi Diálogo.

Disciplina vs. Prioridade

Talvez essa seja a pedra no caminho de muitos de nós, trabalhadores no lar. O que, quando, e como priorizar?

Se disciplina for a chave do mistério, o que fazer, então, com os imprevistos da vida? Porque você sabe, eles aparecerão, e precisarão de nossa absoluta atenção. Especialmente quando acompanham descrições do tipo: hospital, febre, urgente, fumaça, prazo vencido, etc etc etc.

Meu amigo, minha amiga…. trabalhar em casa exige um estado de espírito flexível, e muita clareza sobre suas prioridades, porque os imprevistos aparecerão. E seu sucesso estará na maneira como você irá lidar com eles.

Disciplina e prioridade podem andar de mão dadas. Mesmo quando temos de abrir mão de uma em detrimento da outra.

Meu caso: nos últimos 6 anos trabalhar de casa é minha meta. No entanto, até Janeiro de 2018, eu não estabelecia uma rotina e muito menos olhava para meus projetos com prioridade. Deixei que meu mundo girasse exclusivamente em torno da minha família e do andamento da casa. Qualquer coisinha era desculpa pra nem ligar o computador de forma criativa. Daí que uma hora deu um clique. Eu estava me sabotando! Precisei olhar com carinho para meu passado profissional, fazer as pazes com o que me incomodou, entender o que  não quero, e, a partir daí, passei a focar nos meus projetos, que são, nesse momento, minha prioridade. É claro que ainda estou aqui para os “incêndios” do dia-a-dia, mas passamos a dividir mais. Envolver meu filho e meu marido em minha decisão de estar comprometida com o trabalho em casa, foi fundamental pra chegar a uma rotina produtiva.

Sobre encontrar equilíbrio

O fato é: não existe fórmula pra encontrar o equilíbrio perfeito entre disciplina, prioridades, vida doméstica, vida profissional, processo criativo, etc. O que existe é vontade e determinação. Saber olhar pra si mesmo e reconhecer quais seus sonhos e onde você tem colocado sua energia. A partir daí, deixa fluir. Ajuste suas necessidades de acordo com sua realidade.

Apenas comece.

Agora é com você: Você trabalha em casa? Você está querendo trabalhar em casa? Começando? Deixe um comentário, me conta sobre seus erros e acertos. Vamos tentar fazer uma listinha das coisas que nos ajudam estabelecer uma Rotina Profissional em Casa.

Fico por aqui, porque é hora de levar o cachorro pra caminhar !

Até 😉

Notas Rápidas

  • Por conveniência o eSTRANGERa vai estabelecer “Trabalhar em Cassa” como uma de nossas Categorias. Assim fica fácil para todo mundo encontrar a sequencia dos textos conforme forem publicados. 
  • Usaremos a hashtag –  #trabalharemcasa – de forma ampla, sempre em referência aos profissionais que buscam ou já encontraram uma forma de trabalho independente e flexível.
  • Leia também: Mãe que Trabalha, um texto de 2016.
    Crédito das Photos: Adobe Spark and Personal Archive

The lack of female leadership in Brazil, by Marcia Maeno

Márcia Maeno
Márcia Maeno is a Law Student, at Unifeob in São João da Boa Vista – SP, Brazil. 

Brazil, 2018: Besides being a country in development, and showing growth in several areas, Brazil is still presenting a persistent gender inequality issue. For this reason, measures must be taken to change this unfortunate reality, such as providing more opportunities, empowering women, having active participation and, mostly, giving voice to women so that they can be heard throughout the universties, companies, politics, and all the areas they may have the will to be in.

The partnership between Unifeob and AAUW, established in 2016, has helped shape and lead actions on the university’s Campus in order to bring awareness not only to the female students, as well as the male ones, so the paradigme of gender inequality can be broken in this country.

Data shows that women are the majority in Brazil and also at the Brazilian universities. Nevertheless, when it comes to female leaders, the reality changes drastically. According to research by Grant Thornton, titled “Women in Business 2015”, 57% of the Brazilian companies have no women in charge and this puts Brazil among the top ten countries without solid women representation.

Although this research dates back to 2015, very little has changed as reported by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), in which it has demonstrated that women receive 74,5% of the salary paid to men. A connection can be made taking into account that out of the 200 biggest companies in Brazil, only 3 of them have women in charge.

To explain this huge gap, some aspects have to considered, ranging from the sexist culture, which puts women as the only responsible for domestic chores, to the lack of opportunity and prejudice. All of this, when 57% of University graduates in the country are women.

In the most recent report from the World Economic Forum (WEF) concerning gender equality Brazil dropped 11 positions in only one year, due to lack of female representaion in politics and leadership positions. Brazil scores 90, out of 140 researched, in the scale of gender equality in the world.

On the other hand, the WEF report also shows that Brazil has risen its numbers for women pursuing education and solid careers. Which goes to show that if women have the opportunities, their reality and the reality of those around them can be changed.

Therefore, education and empowerment are the key to balance. Where there are confident and educated women, the environment can be improved for the whole community.

My Post

“Have a bias toward action – let’s see something happen now. You can break that big plan into small steps and take the first step right away.” – Indira Gandhi

Leggings pra que te quero

Vamos combinar uma coisa: calça legging é “uó”!

Porque essa é uma peça do tipo que divide opiniões. Aff.. arrepia os pelinhos do braço só de pensar. Mas… quando usada direitinho, a calça legging é prática e super fashionable. Daí que a praticidade da legging superou o bom senso, e tem muita gente usando a roupa da ginastica pra todos os outros compromissos do dia.

O mercado de moda, que não é bobo nem nada, capitou a tendência e deu pra esse estilo o nome de: Athleisure (pronuncia mais ou menos assim: atlé-jur).  Ou seja: roupa de ginástica que a gente combina com acessórios e usa no dia-a-dia.

Eu aqui: sou super adepta 🙋🏻‍♀️

Legging preta é meu uniforme. Costumo combinar com uma camiseta mais comprida, para cobrir o bumbum. Me dá liberdade pra fazer meus exercicios e afazeres do lar. Mas, se preciso sair, é só jogar uma jaqueta, ou uma camisa, ou um casaco mais pesado, combinando com uma botinha ou um tenis, que pronto…. Posso encarar uma consulta médica, a padaria, o supermercado, os pais na saida da escola, e dependendo posso até tomar um café com cliente.

Pra tirar o look academia basta incrementar o visual. E aí a opção vai de acordo com seu estilo: botas, tenis, acessórios de tamanhos variados, bolsas, lenços, etc .

Tenha em mente que a escolha do que vestir na parte de cima será fundamental pra não deixar esse tipo de look vulgar.

Olha só algumas idéias para o Outuno/Inverno que a Thalita, do Ig. @as_3_mosqueteiras, separou pra gente.

1. Jeans básico 

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Clássica: a “jaquetinha” jeans é básica e imbatível, ou seja, peça coringa para ter no seu armário/ closet. Ela deixa o visual mais cool e combina com legging estampada ou neutra. Pra variar no look aposte nos acessórios e modelos de tenis. Uma alternativa mais leve, para substituir a jaqueta, pode ser uma camisa com corte “boyfriend” jeans.
2. Parca ainda é tendência : 
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Legging com detalhe de estrelas (um tesouro da #TJMax) e meu basicão preto. Optei por uma parca verde militar, meia colorida por cima da calça, e tenis de inverno. Charminho extra na brincadeira com um scarf e os pins na jaqueta. By the way: se você estiver pensando em investir em uma jaqueta nova, as parcas em tons militares ainda estão com tudo.
3. Visual urbano para os dias de frio:
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Para os dias mais frios: o casaco em lã é ótima opção! O estilo desse visual fica por conta do calçado que você escolher. O que vai bem? Uma bota (montaria, ankle, bikes, tênis  descolados). Lembre-se: o estilo é seu e estamos aqui para te ajudar a montar um look  aproveitando as peças que você, provavelmente, já tem no guarda-roupa.
4. Sugestão:
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Legging em um look básico que pode ser associado com qualquer das peças sugeridas acima. Aqui a Thalita, veste uma T-Shirt de “nozinho”, que dá para o visual um jeito descontraído e charmoso.

DICA para quem, entre uma atividade e outra, realiza tarefas domésticas: a grande sacada em usar bem o Atleisure está em evitar perder tempo, durante o dia, com  trocas de roupa. Então, se você tem que executar alguma tarefa doméstica tente adotar um avental pra proteger sua roupa de respingos. E tem tanto avental bunitinho por ai! (em inglês avental = apron, pronuncia ei-prin)

Pra finalizar, vamos lembrar que bom senso é sempre bom, inclusive na escolha de nosso vestuário. Sim, você pode se vestir confortavelmente, com muito estilo e praticidade, sem comprometer sua integridade.

Na dúvida se um look está bom ou não, pergunte pra alguem próximo e peça sinceridade na resposta. Por agora, fico por aqui.

Deixe seu comentário. Colabore com a discussão.  Mande sugestões. Esse canal é nosso!

Até, 🙂