After the Storm

Esta semana tivemos uma tempestade de inverno (winter storm) por aqui. Terça-feira acordei com a casa sem energia elétrica, o que é sério porque sem eletricidade não funciona a bomba d’água, as luzes, a internet (salvo o plano do telefone) e, principalmente, o aquecedor (a temperatura na manhã era de -31 graus Celsius – tirem suas conclusões).  Nevava. A eletricidade voltou, a neve virou uma espécie de chuva de gelo (não granizo), aqui chamada de freezing rain. Tudo, do lado de fora de casa, ficou coberto por uma fina camada de gelo. Folhas, galhos, arvores dormentes, cabos condutores, envoltos no gelo (tem arvore que, de tão pesada por conta do gelo, ainda está envergada). Voltou a nevar. 50 centímetros depois… Saímos pra brincar no quintal.

No dia seguinte, quarta-feira, as temperaturas não passaram dos -5 graus Celsius, mas não ventou e o sol deu as caras. Céu azul. A natureza limpa, branca, quase impecável. O que a câmera captou não mostra nada da beleza que nossos olhos puderam testemunhar. Dirigir cercada de “arvores de cristal”. A luz do sol filtrada pelo gelo nos galhos dormentes. O dia estava perfeito pra brincar de fotógrafa.

 E assim passamos pela tempestade. Um pouco de preocupação aqui, muita diversão ali, memórias e mais memórias.

E só pra constar: dias bonitos, com direito a caminhada no lago, arvores de cristal, e céu azul, também tem seu lado oooops deu mer**! Tipo bastidores. Com direito a atolamento e  resgate do marido.

photos: by Gabi Hoover and Nathalia Carvalho

Planejar aniversário de …

… criança não é das tarefas mais empolgantes no meu livro. Não tenho muita paciência. Talvez porque desde que passei a desempenhar essa função, há quase 5 anos, já não estava no meu ambiente e, além de aprender o dia-a-dia de mãe, ainda precisava aprender a ser mãe da/na América do Norte (e acreditem, esse aprendizado vai longe).
Sim, pra ser mãe basta ter um filho… mas mães têm costumes que se desenvolvem a partir da sociedade que pertencem. Ou seja: costumes diretamente relacionados à cultura, tradições e ao ambiente em que vivem e/ou viveram. Pra resumir aqui estou, uma garota dos trópicos, criando meu filho em Nárnia, onde dos 12 meses do ano: 6 são gelados, 3 são frios, 1 é fresco, 1 é morno e 1 é quente.

Os costumes são diferentes, o clima é diferente, as refeições, o calendário escolar, etcs. A interação social é completamente diferente. Tem muita coisa que ainda não assimilei, como por exemplo levar meu “cooler” de bebidas sempre que for a uma festa, ou deixar uma cadeira portátil no porta-malas do carro pra ter um lugar pra sentar quando for a uma festa ao ar livre. Sim, eu sou “aquela mãe” que sempre esquece a marmita..

Nesse enredo entra o planejamento do aniversário. Até hoje meu filho não teve uma Piñata (pinhata), que é aquele bicho de papel que as crianças enchem de paulada pra quebrar e pegar os doces dentro (tipo aquela Bexiga enorme que penduramos no Brasil). Não teve Piñata ainda porque eu esqueço. Sei lá.. nunca fui muito fã daquelas bexigas, e no caso da IMG_0071americana o próprio nome “piñata” já demonstra que essa não é bem uma tradição daqui, eu simplesmente esqueço. Mas agora ele, o aniversariante, faz questão de me lembrar.

Nunca sei se devo convidar os pais dos amiguinhos ou não. Minha “brasileirísse” diz que sim, mas a vida na América não. Também gosto de fazer a mesa com brigadeiros e docinhos, bem brasileiros, afinal.. aniversário sem brigadeiro não é aniversário né, mas e aí pra explicar que os doces são pra D-E-P-O-I-S do parabéns e vão junto com o bolo. Resultado: mesa defasada pra famosa foto (aliás, a foto nós – eu e o pai – também esquecemos de “tirar”).

Ahhhh… e antes que me esqueça… deixa eu falar uma coisa: sabe o pedaço do bolo. Então, aqui os pedaços são tipo XL (extra large). Praticamente um pedaço alimenta uma família de quatro pessoas. Daí vou eu, toda trabalhada no “vamôs dividir”, cortar pedaços brasileiros. Sempre recebo uma olhadinha da sogritcha nessa hora. Aquela olhada com a sobrancelha levantada: _ “Põe um pedaço maior pro Sogro”. Fazer o quê?!

E a hora dos presentes… todos numa caixa e como manda a tradição destas bandas a criança senta numa cadeira, cercada pelos amiguinhos, e perde tempo precioso de sua festa, quando poderia estar brincando, abrindo pacotes e exibindo cada um de seus novos brinquedos. Enquanto isso, um dos pais anota um por um dos presentes e seus respectivos remetentes, para depois enviar notas de “Thank You” aos convidados. Essa situação, especialmente em aniversário de criança pequena, sempre acaba com alguém chorando. Sem contar o quanto é estranho ver seu filho ali, sentado num momento “REI”, rodeado de “súditos” babando pra usar um dos novos brinquedos. Affff.. por mim, levaria tudo pra casa e abriria lá.

O cardápio da festinha, no entanto, é fácil. Pra agradar gregos e troianos: cachorro quente – que é feito de salsicha e pão – e/ou pizza. Se quiser ser mais ousada/o pode encomendar subs ou fazer um chilli. Se o aniversário for no verão da pra fazer um churrasco – de hambúrguer. E, ainda, podemos optar por um “veggie platter”.. yummy … pedaços de pimentão, brócolis, cenoura, salsão – tudo cru – com um molho ranch pra disfarçar o sabor desse “delicioso” prato infantil.

São diferenças sutis como estas que não levamos em consideração quando decidimos mudar de país. O dia-a-dia estrangeiro traz muito mais diferenças culturais que aquelas que notamos quando fazemos turismo. O truque está mesmo em assimilar essas sutilezas, crescer com o novo, entendendo principalmente que nós somos os gringos.

E aí, mesmo com a paciência no espaço, a gente organiza a festa feliz. Porque celebrar mais um ano na vida desses pequenos, que são “estrangerinhos” é mais legal que celebrar o nosso aniversário. Embora sejamos estranhos, é essa outra terra a pátria mãe dos nossos filhos. 

Agora me conta, você “Estrangera” ou “Estrangero” do outro lado, tem alguma gafe de costumes pra dividir comigo?

Até! 😉

Um “like” pro Facebook

Está chegando a hora de fazer minha “faxina” anual no Facebook. Uma faxina de gente, na qual deleto “amigos”, bloqueio feed de gente que eu gosto mas que compartilha um monte de coisa sem noção e, ainda, aproveito pra escrever umas mensagens inbox. Depois de passar quase dois meses visitando o Berço, me dei conta do quanto gosto do Facebook. AHHHH…  antes de alguém atirar a primeira pedra, termine de ler o texto.

Podem falar o que for sobre o Facebook, mas darei uma de “advogada do diabo” e apontarei alguns pontos que considero (eu.. primeira pessoa do singular) positivos nesta ferramenta social. Fato é: eu moro em um hemisfério e meu ciclo de amizades e de sangue está em outro. Por mais mais longas que sejam as viagens de visita ou por mais que eu planeje e organize o tempo, não dá pra ver todo mundo.

Pois é nesse vazio que encontro a “luz” do Facebook. Porque, sinceramente, vejo mais positividade (salvo devidas proporções) nessa coisa de rede social que negatividade. E, no mais, e daí que tanta gente só pública foto bonita, foto de comida, foto de viagens; e daí que no Face a vida das pessoas é, em sua maioria, um mar de rosas? Minha opinião é que eu não tenho nada a ver com o que os outros publicam sobre suas respectivas vidas e, convenhamos, sério mesmo que as pessoas esperam que a gente poste foto feia? Além do que, se algo ou alguém de incomoda vai lá e deleta. Simples assim.

Mas voltando ao ponto: ao longo desses últimos anos o Facebook se mostrou uma ferramenta e tanto de conexão social. Pra quem vive longe especialmente. Até o presente momento, em minha vida, conheci um monte de gente bacana que por diversos motivos se afastaram. Não nos afastamos por pura opção, mas porque a vida nos colocou a parte. Amigos de escola que foram correr atrás de seus sonhos depois de formados; a turma da faculdade que foi fazer carreira; as pessoas legais com quem compartilhei cadeiras e mesas em cursos de aperfeiçoamento; gente que conheci em Ribeirão Preto, Campinas, São Paulo, e, até aqui em Nárnia; a família que formei em cada um dos meus empregos; as pessoas que foram parte de momentos como Primeira Comunhão, aulas de violão, teatro, esportes; têm os amigos que são os filhos dos amigos dos meus pais; a turma da Praia; enfim… a vida segue e, infelizmente, não dá pra carregar todo mundo junto. Ou melhor, não dava. De repente, uma ferramenta como o Facebook ajuda manter contato, saber o que se passa com as pessoas da nossa vida. É como abrir uma janela pra rua mais movimentada e ver todo mundo passar na calçada.

Aí pode acontecer assim: um dia você está passeando no supermercado e encontra alguém que não vê há anos, mas vocês se reconhecem, vocês se abraçam, vocês trocam sorrisos e partem pra uma conversa atual, porque embora longe, você não está distante. E o mesmo acontece no barzinho, na caminhada, na padaria, no carrinho de lanche, dentro de uma loja qualquer.

A vida de imigrante me ensinou que existe uma diferença entre estar longe e estar distante. Posso estar longe fisicamente, não posso abraçar meus sobrinhos, não posso marcar um cafézinho com as amigas. Mas, definitivamente, busco participar e acompanhar cada passo da vida que me deixam ver. As vezes uma simples “curtida” de foto me diz: _ “ahh que lugar mais lindo. Que bom te ver feliz”; ou então _ “eu sinto muito por esse momento dificil, saiba que estou aqui e te mando minhas vibrações mais positivas”.

Claro que o Facebook, assim como tudo que rola na internet, tem seu lado sombrio. E, ainda, de quebra, guarda preciosas informações pessoais de todos que estão em sua rede. Seria eu muito imatura e insensata em acreditar que tudo é lindo e colorido. Mas, como diz meu pai, tudo que é feito ou consumido em exagero faz mal né não?!

Eu sinto a falta de tempo quando vou pro Brasa, me chateia não poder ver todo mundo. Sinto que a vida pode ser dura ao afastar as pessoas e nos colocar diante de decisões que envolvem agendas profissionais e pessoais, mas isso tudo faz parte de estar vivo. LikeButtom

Por isso, “Thumbs Up” (sinal de Jóia) para o Facebook, que de um jeito torto consegue reduzir distancias ao redor do mundo.

Até 😉