Tendência: Tomates

Eu tenho notado uma discreta invasão de tomates pelas prateleiras “trendizêras” que me cercam. Eu mesma, que sou adepta de um toque vermelho no meu dia-a-dia, não resisti ao meu impulso capitalista e trouxe pra casa uma sacola de sisal com a temática estampada nas laterais. 

Foi uma compra dessas por impulso. Vi a sacola pendurada logo ali na linha dos caixas da loja. Eu tinha entrado lá à procura de um cinto pro meu filho. E estava saindo com o cinto, um pacotinho de temperos, e uma vela aromática com cheiro de – pasmem – tomate e manjericão. Aliás, eu só olhei pra vela porque o pote de cerâmica vermelha com relevos de tomates combinaria com a decoração na cozinha. Enfim, eu estava ali na fila com esses itens pra pagar e nenhuma sacola pra levar, quando meu cérebro avistou a sacola pendurada ali. 

Me encantei com o estilo, com as cores, a mistura de materiais: alças em couro, estampa carimbada. A sacola era ao mesmo tempo rústica e sofisticada. 

Tem sacola no carro” _ pensei _ “O que está acontecendo que agora eu só vejo tomates? Será essa a tendência dessa estação? … Eu não preciso de outra sacola. Estou virando a tia da sacola.”

A luz do caixa 2 acendeu. Era a minha vez. Passei batida pela sacola. Brigando com a vontade de levar. Enquanto a moça passava minhas compras, eu me distraia olhando para a quantidade de itens ao redor dos caixas. Notei que as sacolas reutilizáveis estavam mais bonitas, e, consequentemente, mais caras. 

Meu cérebro de pipoca fez uma rápida relação entre as bolsas que estavam penduradas ali, incluindo aquela com tomates, e a sacola do supermercado hipado Trader’s Joe, que é um desses itens viralizados pelo mercado do luxo instagrâmico. 

$47.28 total”, me avisou a moça, “Infelizmente nossas sacolas acabaram”, complementou ela. 

“Hahahahahahahah”, gargalhou meu cérebro.
Ai moça, peraí… adiciona essa sacola de tomate aqui e já coloca as compras dentro”,  finalizei. 

De lá pra cá, a sacola de tomate tem me acompanhado em várias empreitadas. Ela é ótima pra carregar equipamento, um par de sapatos extra, um casaquinho ou uma canga, a minha bolsa. Além de cumprir com primor sua função essencial: ser uma sacola reutilizável ideal para feira e afins. 

Porém, meu impulso consumista daquele dia, acabou permeando muito dos meus pensamentos nos dias subsequentes. Enquanto transitava entre Estados, quilômetros e mais quilômetros de estrada, entra e sai de unidades de saúde, na difícil tarefa de cuidar de alguém, passei a notar tomates por todos os cantos. Confesso que até comecei a comer mais da fruta. 

Até que eu fiz uma salada de frutas e “virei a chave”, figurativamente falando. 

Estávamos na cozinha preparando um lanche de almoço. Enquanto o Barret fritava um pacote de bacon fatiado, eu aproveitei para picar metade de um mamão papaya, que estava na geladeira há alguns dias e precisava ser comido, que eu juntei com fatias de banana, pedacinhos de laranja e uma porção de granola. “Vai ser sobremesa”, exclamei. 

O bacon estava quase finalizado, no ponto de crocância que a gente gosta, quando eu tirei da geladeira um tomate heirloom lindo, maduro e bem carnudo, pra fatiar e temperar com azeite e sal. Nesse momento me lembrei de uma analogia que usa o tomate para explicar a diferença entre conhecimento e sabedoria. 

“Conhecimento é saber que o tomate é uma fruta. Sabedoria é não colocá-lo em uma salada de frutas”

Miles Kington (1941–2008)
foi um renomado jornalista, colunista
humorístico, escritor, radialista e músico britânico.

No meio do pão: o tomate, a alface, uma porção de tiras de bacon crocante, e um pouquinho de maionese formam um dos mais clássicos sanduíches da culinária norte-americana: o BLT (bi-él-ti / bacon-lettuce-tomato). Curiosamente, um sanduíche pouco reproduzido fora daqui. 

Pensei no preço do bacon, no índice de inflação de acordo com o valor do tomate. A palavra “viralizado” acendeu na minha mente. Daí lembrei da sacola do Trader’s Joe, e de criadores de conteúdo. Racionalizei despesas, valores, estilo vs. qualidade de vida, nossa sanidade e paz. 

Olhei pra minha sacola com estampa de tomate como quem conquistou um tesouro. 

Tomates devem ser a tendência dessa estação.🍅 

Vou falar sobre Fracasso

Eu quero emanar sucesso e realização. Porém, para que essa jornada seja sincera, eu preciso reconhecer meu

FRACASSO.

Ou melhor, meus (assim, no plural) fracassos.

Acho que é importante falar deles, porque nem tudo são rosas. E eu tenho consciência das partes chatas, feias, que a gente não traz para o público.

Pra começar, tenho um certo pavor de falar ‘fracasso’. Só a palavra já causa uma certa angústia. Então, vou pro cômodo lugar do evito. Evito a palavra. Tipo cancelo do meu vocabulário. Coloco ‘fracasso’ num lugar mais invisível do que o ‘desisti’. Mas e aí?

Out of site, out of mind

Se eu não vejo, eu não penso sobre. E com esse medo de reconhecer meus fracassos deixo de lado projetos e planos sem lhes dar satisfação. Como se nada tivesse acontecido.

Com o tempo, isso pesa.

Por isso agora, em 2025, volto aqui. Para declarar que tem coisas que não deram certo, e outras que floresceram.

Eu hoje resolvi botar meus fracassos no papel.

Fracassei com meus planos de fechar eventos, vender as peças, atualizar nosso conteúdo semanalmente.
Eu fracassei como ativista. Fracassei em dar continuidade em trabalhos que comecei.
Eu abandonei meu trainamento de ‘rider coach’. Eu fracassei como amiga para alguns. Fracassei como membro de comitê.

Enfim, eu fracassei. Eu fracasso. Eu fracassarei.

Uff.. pronto falei!
Falei e repeti.

Agora, refletindo aqui, muitos dos meus fracassos são coisas pelas quais eu sinto muito, e sou sinceramente ciente da minha responsabilidade. Já outras coisas, por mais que sejam uma ferida, fazem parte de quem sou, de quem me tornei, são fracassos que abriram caminho para sucessos.

Desopilar meus fracassos do peito, abriu novas perspectivas para minhas escolhas.

Eu sou uma comunicadora nata. Sem falsa modéstia. Tenho vocação para conectar as pessoas, encontrar histórias e personagens. Tenho talento para contar essas histórias, para criar uma identidade narrada.

Com isso, o ‘trunk show’ virou ‘comunicação’. O BRAMMOTO.com é o BRAMMOTO repaginado com o que eu ofereço de melhor: meu talento em comunicação.

Fica de olho por aqui e por lá para saber mais.