Das coisas que eu não publiquei (parte 1)

“Confia no processo” é o que dizem por ai. Não discordo. Sou do tipo que curte a viagem, para além de chegar no destino. Gosto de parar pra tomar um café, dar uma esticada, ir até o banheiro. Tem viagem que é longa e acabo por fazer amizades na espera de um vôo, ou com a pessoa na poltrona ao lado. Porém, não é todo destino que é conhecido. Tem viagem que é difícil, cheia de ansiedade e expectativas com a chegada. E tem caminho que é esburacado, em pista simples de mão única, em estrada sem acostamento. A analogia entre a viagem e o processo até funciona, quando olhada de forma simplista, do ponto A pro ponto B. Só que será mesmo que dá pra comparar o destino de uma viagem ao lugar onde queremos chegar na vida?

Talvez essa resposta seja tão individual como cada uma de nossas escolhas durante o trajeto.

“No teu canto canta, antiga cantiga”

Marisa Monte, Barulinho Bom

É sexta-feira e eu tirei o dia pra mim. “Vou meditar no meu tempo, tirar minhas cartas, fazer minhas anotações.”

O famigerado “confia no processo” perambulando pelos meus pensamentos. Eu tinha acabado de escrever sobre o que me dá tesão e estava bem confiante em voltar a produzir meu conteúdo. Confiante a ponto de lembrar do processo de que se eu quero chegar a algum lugar, eu preciso tirar da cabeça e por no papel tal conteúdo.

Põe no papel.

Faz um roteiro.

Grava.

Edita.

Ohmmmm…. MEDITA!

No headphones a Marisa Monte canta, no teu canto canta, antiga cantiga. La la uê, la la uê”

Eu então olho para a Bíblia que estava na minha frente, junto com os minhas cartas do Oráculo da Mãe Maria e um bloco de notas. Respiro fundo e abro uma página. Leio a passagem, um provérbio que trata sobre sabedoria, A criança junto a Deus (Pr 8,22-31). No canto esquerdo da página, tem uma nota de Teresa de Ávila:

“Deixa para a tua alma a liberdade de cantar, de dançar, de louvar e bendizer, e de amar.”

Our Lady of Great Power

Eu então coloquei minhas cartas na minha frente. Fechei meus olhos e puxei uma _ “Nossa Senhora de Grande Poder.” Essa é a carta de número 24 no meu deck*. A imagem mostra uma figura de Nossa Senhora com os cabelos longos e pretos bem ondulados, ela tem a pele marrom, usa um manto cheio de adornos e cores que vão do azul escuro ao lilas. Acomodada em seu abraço e olhando para frente está uma criança. A imagem tem sagrado coração (aquele com foguinho) na beirada inferior. Essa é a quinta vez que eu tiro essa carta desde que tenho o deck. Por conta de sua mensagem, e do impacto que ela causou desde a primeira vez, eu anoto no canto da pagina as datas de quando ela veio pra mim: Abril de 2020, Fevereiro de 2021, Dezembro de 2022, Novembro de 2024, Março de 2025.

Ela me vem como um respiro nos momentos de dúvida. Especialmente quando começo questionar meu processo, minhas habilidades, e minha fé na humanidade. Nossa Senhora de Grande Poder diz, “Devemos ter o cuidado para não deixar que nosso otimismo genuino, aquele que nos mantém abertos e ativos, torne-se fonte de falsidade. Não podemos permitir que ele nos diga que nada precisa mudar, que tudo está bem, quando a Mãe Divina nos diz que nada disso é verdade. Precisamos ser honestos com nós mesmos e nossos sofrimentos. Não devemos ter medo do otimismo. Devemos estar cientes dele, e através dele ocorrerá a cicatrização.”

Esse seu otimismo irritante é também uma qualidade, penso. “Confia no processo”.

Sabedoria, a final

Na janela do meu escritorio tenho bandeirinhas tibetanas. Foquei na bandeirinha da Sabedoria nesse dia.

SABEDORIA = conhecimento, intuição e experiência combinados para nos guiar através de ações.

“Confia no processo.” Confiar no processo é confiar na minha história, em quem eu sou, nas experiências e conhecimentos que ao longo da vida fui adquirindo e continuo a adquirir. O meu processo é meu e de mais ninguem. Por isso, vale pra cada um.

Eu estava desgostosa dos meus talentos. Desgostosa das minhas competências e habilidades. Deixei de acreditar em mim e na qualidade daquilo que posso entregar. Sensação ruim essa. Coisa que eu escrevi e apaguei. Foto que não editei ou publiquei. O processo perdeu o sentido porque eu estava sem direção. Eu sei que me perco facilmente com qualquer brilho que chame minha atenção e atice a curiosidade de jornalista. 2024 foi um ano importante pra que eu amadurece nesse sentido e passasse a entender meus processos.

“It takes a truly great leader to be a great warrior for love on this planet”, Fairchild, Alana – Mother Mary Oracle.

Leia em Das coisas que eu não publiquei, parte 2: meu balanço de 2024 e uma reflexão sobre o tão sonhado “Chegar lá.”

visual: image shows Gabi driving to a background of question marks.

O que me dá tesão?

Você tem que ver o que te dá tesão amiga

Foi assim que terminou um papo sobre conteúdo, que começou despretensioso e que depois ficou martelando na minha cabeça.

O que me dá tesão? O que me dá tesão?

Assim, pra responder imediatamente, eu pensei: ah, o Barret me dá tesão. Mas eu sabia que não era sobre esse tesão que estávamos falando. Era sobre o tesão que me motiva. Sobre o tesão que move aquilo que eu crio, aquilo que eu faço “dá e com” a minha vida. Era sobre o tesão que me dá propósito em ser.

O que me dá tesão?

De novo, meu pensamento recorre ao Barret. E com isso realizo que sou duas: uma em português e uma em inglês. Já são muitos anos vivendo estrangeira, e chega uma hora que, indiscutivelmente, essa coisa de duas nacionalidades afeta a sua personalidade. Me pego pensando na tradução de tesão para o inglês. Mais uma vez recorro ao dicionário. Tesão = Lust. Lust em português é luxúria. Pra encurtar a volta que minha mente deu, entendi que é por isso que eu penso no Barret quando me pergunto o que me dá tesão. Ainda bem, já são muitos anos vivendo essa vida estrangeira, e eu estou aqui por ele, então que bom que ainda penso nele ao pensar sobre o que me dá tesão nessa vida.

Porém, esse não era o tesão da nossa conversa, e nem o que estava me tirando o sono. A gente, eu e minha amiga, falavamos sobre conteúdo. Precisamente, pra onde eu estou indo com o meu conteúdo agora que uma nova fase nas minhas possibilidades se abriu e eu quero capitalizar com o que eu tenho.

Fui pensando uma listinha das coisas que me arrepiam a espinha de prazer:

  • Andar de moto me da tesão
  • Conhecer gente me dá tesão
  • Estar com gente me dá tesão
  • Experimentar coisas novas, garimpar mercados antigos, conversar com personagens
  • Música me dá tesão

Essas coisas todas me dão tesão. As vezes, fico tão motivada que quero sair contando esses momentos. Quero reportar diferentes despertares, e uso minhas redes sociais para isso. Eu tenho tesão no meu trabalho, tesão por comunicação. Adoro reportar, escrever, editar, entrevistar, produzir, criar, criar, e criar.

BINGO: Escrever / Reportar

É isso. Escrever é minha paixão. Escrever está na base de tudo em mim. Escrever é meu lazer e meu trabalho. Captar imagens. Juntar imagem e escrita.

Peraí, eu sou Jornalista. Sou Comunicadora Social. Esse é o meu lugar.
Na minha geografia SER é diferente de ESTAR.
Eu sou Jornalista, não importa se estou mais ao sul ou mais ao norte.

Eu tenho tesão em ser eu mesma. Em usar e abusar dos meus talentos, seja pra uma coisa minha ou como contratada pra contar sobre a coisa de terceiros.

Então é pra esse lugar que meu conteúdo vai. Ele vai comigo. Porque eu sou o meu conteúdo. Sou testemunha do tempo, hóspede da minha própria casa. De constante eu carrego amor, algo pra clicar o momento e um bloquinho de notas.

Vou falar sobre Fracasso

Eu quero emanar sucesso e realização. Porém, para que essa jornada seja sincera, eu preciso reconhecer meu

FRACASSO.

Ou melhor, meus (assim, no plural) fracassos.

Acho que é importante falar deles, porque nem tudo são rosas. E eu tenho consciência das partes chatas, feias, que a gente não traz para o público.

Pra começar, tenho um certo pavor de falar ‘fracasso’. Só a palavra já causa uma certa angústia. Então, vou pro cômodo lugar do evito. Evito a palavra. Tipo cancelo do meu vocabulário. Coloco ‘fracasso’ num lugar mais invisível do que o ‘desisti’. Mas e aí?

Out of site, out of mind

Se eu não vejo, eu não penso sobre. E com esse medo de reconhecer meus fracassos deixo de lado projetos e planos sem lhes dar satisfação. Como se nada tivesse acontecido.

Com o tempo, isso pesa.

Por isso agora, em 2025, volto aqui. Para declarar que tem coisas que não deram certo, e outras que floresceram.

Eu hoje resolvi botar meus fracassos no papel.

Fracassei com meus planos de fechar eventos, vender as peças, atualizar nosso conteúdo semanalmente.
Eu fracassei como ativista. Fracassei em dar continuidade em trabalhos que comecei.
Eu abandonei meu trainamento de ‘rider coach’. Eu fracassei como amiga para alguns. Fracassei como membro de comitê.

Enfim, eu fracassei. Eu fracasso. Eu fracassarei.

Uff.. pronto falei!
Falei e repeti.

Agora, refletindo aqui, muitos dos meus fracassos são coisas pelas quais eu sinto muito, e sou sinceramente ciente da minha responsabilidade. Já outras coisas, por mais que sejam uma ferida, fazem parte de quem sou, de quem me tornei, são fracassos que abriram caminho para sucessos.

Desopilar meus fracassos do peito, abriu novas perspectivas para minhas escolhas.

Eu sou uma comunicadora nata. Sem falsa modéstia. Tenho vocação para conectar as pessoas, encontrar histórias e personagens. Tenho talento para contar essas histórias, para criar uma identidade narrada.

Com isso, o ‘trunk show’ virou ‘comunicação’. O BRAMMOTO.com é o BRAMMOTO repaginado com o que eu ofereço de melhor: meu talento em comunicação.

Fica de olho por aqui e por lá para saber mais.