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Das coisas que não publiquei (Parte 2)

Escrevi o texto abaixo para fazer meu balanço de 2024. Guardei.
Acho que esse é um momento oportuno para resgata-lo do meu bloco de notas e colocar assim, ao vento cibernético.


2024

Não quero fazer textão, mas não posso deixar passar minha reflexão de 2024 (escrito em 31 de Dezembro de 2024).

Hoje é meu primeiro dia em uma nova fase de vida sem vínculos empregaticios. Começarei 2025 leve e completamente dona de mim. 

Pensando sobre ciclos e jornadas, sobre movimentos, sobre minhas idas e vindas. 2024 foi um ano de realizações. Ironicamente, e porque vivo uma vida bilíngue, foi um ano de realizações em português e ‘realizations’ em inglês. 

2024 foi um ano que começou bem e que fluiu como planejado. Mas daí, lá por meados do ano, algo mudou. Me percebi olhando mais pra fora, que pra dentro, e querendo mais de coisas que preciso de menos. Senti no físico o peso de uma angústia que não é minha. E enquanto isso, tic-toc, o relógio continua. 

Acho que perdi um pouco de empatia durante esse ano. Por razões que, por agora, não sei colocar em palavras. 2024 foi um ano sociológicamente cansativo. 

Em 2024, nós (eu + minha família) rodamos. Entramos o ano com a familia do Brasil, visitamos e recebemos amigos, fotografamos corrida de bicicleta, casamentos, gente, bichos, comidas e autos. A gente realizou a viagem mais nerd (e, diga-se de passagem, mágica) da nossa vida. Conheci Las Vegas e achei overrated. Passamos o ano saudáveis, não atrasamos as contas, e a geladeira só sofreu porque tivemos preguiça de ir ao supermercado. Pra finalizar e colocar uma cereja no bolo: ainda consegui trocar minha moto pelo modelo que tinha colocado como objetivo.  

Enfim, como disse no começo: um ano de realizações. 

Porém, tudo isso possível, claro, abrindo mão de algo que, para mim, é essencial: equilíbrio. 

E eis que a luz da ‘realization’ (plim) acendeu. Felizmente, antes do fim do túnel. 

As vezes, quando a gente ganha a gente perde. 

A palavra ‘realization’ em inglês pode, entre outras traduções, estar relacionada à percepção, constatação de algo. Em português, ‘to realize’ é o verbo constatar. 

Ou seja, em 2024 cheguei a importantes constatações sobre mim. Constatações tipo estas: eu sou competente pacas, mas não sei equilibrar profissional e doméstico; eu tenho dificuldade em falar ‘não’ e, consequentemente, fico com um monte de projeto pela metade; eu cheguei até o tão falado ‘lá’ (pelo menos dentro dos parâmetros que estabeleci pra a minha vida).  

Em 2024 constatei que minha ambição profissional é ter e ver meu trabalho publicado com meu nome na capa. Pronto. Do mais, quero é cuidar do meu jardim: regar as plantas, aparar as beiradas, trocar óleo, polir o vidro, guardar a decoração de Natal.  

Enfim, eu constatei que meus valores mudaram, meu foco mudou, a carreira que há vinte anos fazia tanto sentido, hoje não se encaixa. Sou outra. E constatei que meu grande e absoluto Poder esta no meu ‘poder escolher’. Privilégio maior desconheço. 

Sim, escolher deixar um emprego estável pra voltar a administração doméstica não remunerada é pra mim um previlégio enorme. Pois ele só é possível porque: 1. tenho apoio e amparo emocional e financeiro; 2. deixar um emprego, não significa deixar de produzir. 

Portanto, para 2025 ao invés de retreat, eu toquei o restart. Sem amarras. Sem destino. Sem agenda. Sem horários. Quero fazer as ‘pazes’ com minhas ideologias, e, dar asas para minha criatividade. Para 2025 quero retorno e recomeço. 

Cantoflorvivência! 

Das coisas que eu não publiquei (parte 1)

“Confia no processo” é o que dizem por ai. Não discordo. Sou do tipo que curte a viagem, para além de chegar no destino. Gosto de parar pra tomar um café, dar uma esticada, ir até o banheiro. Tem viagem que é longa e acabo por fazer amizades na espera de um vôo, ou com a pessoa na poltrona ao lado. Porém, não é todo destino que é conhecido. Tem viagem que é difícil, cheia de ansiedade e expectativas com a chegada. E tem caminho que é esburacado, em pista simples de mão única, em estrada sem acostamento. A analogia entre a viagem e o processo até funciona, quando olhada de forma simplista, do ponto A pro ponto B. Só que será mesmo que dá pra comparar o destino de uma viagem ao lugar onde queremos chegar na vida?

Talvez essa resposta seja tão individual como cada uma de nossas escolhas durante o trajeto.

“No teu canto canta, antiga cantiga”

Marisa Monte, Barulinho Bom

É sexta-feira e eu tirei o dia pra mim. “Vou meditar no meu tempo, tirar minhas cartas, fazer minhas anotações.”

O famigerado “confia no processo” perambulando pelos meus pensamentos. Eu tinha acabado de escrever sobre o que me dá tesão e estava bem confiante em voltar a produzir meu conteúdo. Confiante a ponto de lembrar do processo de que se eu quero chegar a algum lugar, eu preciso tirar da cabeça e por no papel tal conteúdo.

Põe no papel.

Faz um roteiro.

Grava.

Edita.

Ohmmmm…. MEDITA!

No headphones a Marisa Monte canta, no teu canto canta, antiga cantiga. La la uê, la la uê”

Eu então olho para a Bíblia que estava na minha frente, junto com os minhas cartas do Oráculo da Mãe Maria e um bloco de notas. Respiro fundo e abro uma página. Leio a passagem, um provérbio que trata sobre sabedoria, A criança junto a Deus (Pr 8,22-31). No canto esquerdo da página, tem uma nota de Teresa de Ávila:

“Deixa para a tua alma a liberdade de cantar, de dançar, de louvar e bendizer, e de amar.”

Our Lady of Great Power

Eu então coloquei minhas cartas na minha frente. Fechei meus olhos e puxei uma _ “Nossa Senhora de Grande Poder.” Essa é a carta de número 24 no meu deck*. A imagem mostra uma figura de Nossa Senhora com os cabelos longos e pretos bem ondulados, ela tem a pele marrom, usa um manto cheio de adornos e cores que vão do azul escuro ao lilas. Acomodada em seu abraço e olhando para frente está uma criança. A imagem tem sagrado coração (aquele com foguinho) na beirada inferior. Essa é a quinta vez que eu tiro essa carta desde que tenho o deck. Por conta de sua mensagem, e do impacto que ela causou desde a primeira vez, eu anoto no canto da pagina as datas de quando ela veio pra mim: Abril de 2020, Fevereiro de 2021, Dezembro de 2022, Novembro de 2024, Março de 2025.

Ela me vem como um respiro nos momentos de dúvida. Especialmente quando começo questionar meu processo, minhas habilidades, e minha fé na humanidade. Nossa Senhora de Grande Poder diz, “Devemos ter o cuidado para não deixar que nosso otimismo genuino, aquele que nos mantém abertos e ativos, torne-se fonte de falsidade. Não podemos permitir que ele nos diga que nada precisa mudar, que tudo está bem, quando a Mãe Divina nos diz que nada disso é verdade. Precisamos ser honestos com nós mesmos e nossos sofrimentos. Não devemos ter medo do otimismo. Devemos estar cientes dele, e através dele ocorrerá a cicatrização.”

Esse seu otimismo irritante é também uma qualidade, penso. “Confia no processo”.

Sabedoria, a final

Na janela do meu escritorio tenho bandeirinhas tibetanas. Foquei na bandeirinha da Sabedoria nesse dia.

SABEDORIA = conhecimento, intuição e experiência combinados para nos guiar através de ações.

“Confia no processo.” Confiar no processo é confiar na minha história, em quem eu sou, nas experiências e conhecimentos que ao longo da vida fui adquirindo e continuo a adquirir. O meu processo é meu e de mais ninguem. Por isso, vale pra cada um.

Eu estava desgostosa dos meus talentos. Desgostosa das minhas competências e habilidades. Deixei de acreditar em mim e na qualidade daquilo que posso entregar. Sensação ruim essa. Coisa que eu escrevi e apaguei. Foto que não editei ou publiquei. O processo perdeu o sentido porque eu estava sem direção. Eu sei que me perco facilmente com qualquer brilho que chame minha atenção e atice a curiosidade de jornalista. 2024 foi um ano importante pra que eu amadurece nesse sentido e passasse a entender meus processos.

“It takes a truly great leader to be a great warrior for love on this planet”, Fairchild, Alana – Mother Mary Oracle.

Leia em Das coisas que eu não publiquei, parte 2: meu balanço de 2024 e uma reflexão sobre o tão sonhado “Chegar lá.”

visual: image shows Gabi driving to a background of question marks.

O que me dá tesão?

Você tem que ver o que te dá tesão amiga

Foi assim que terminou um papo sobre conteúdo, que começou despretensioso e que depois ficou martelando na minha cabeça.

O que me dá tesão? O que me dá tesão?

Assim, pra responder imediatamente, eu pensei: ah, o Barret me dá tesão. Mas eu sabia que não era sobre esse tesão que estávamos falando. Era sobre o tesão que me motiva. Sobre o tesão que move aquilo que eu crio, aquilo que eu faço “dá e com” a minha vida. Era sobre o tesão que me dá propósito em ser.

O que me dá tesão?

De novo, meu pensamento recorre ao Barret. E com isso realizo que sou duas: uma em português e uma em inglês. Já são muitos anos vivendo estrangeira, e chega uma hora que, indiscutivelmente, essa coisa de duas nacionalidades afeta a sua personalidade. Me pego pensando na tradução de tesão para o inglês. Mais uma vez recorro ao dicionário. Tesão = Lust. Lust em português é luxúria. Pra encurtar a volta que minha mente deu, entendi que é por isso que eu penso no Barret quando me pergunto o que me dá tesão. Ainda bem, já são muitos anos vivendo essa vida estrangeira, e eu estou aqui por ele, então que bom que ainda penso nele ao pensar sobre o que me dá tesão nessa vida.

Porém, esse não era o tesão da nossa conversa, e nem o que estava me tirando o sono. A gente, eu e minha amiga, falavamos sobre conteúdo. Precisamente, pra onde eu estou indo com o meu conteúdo agora que uma nova fase nas minhas possibilidades se abriu e eu quero capitalizar com o que eu tenho.

Fui pensando uma listinha das coisas que me arrepiam a espinha de prazer:

  • Andar de moto me da tesão
  • Conhecer gente me dá tesão
  • Estar com gente me dá tesão
  • Experimentar coisas novas, garimpar mercados antigos, conversar com personagens
  • Música me dá tesão

Essas coisas todas me dão tesão. As vezes, fico tão motivada que quero sair contando esses momentos. Quero reportar diferentes despertares, e uso minhas redes sociais para isso. Eu tenho tesão no meu trabalho, tesão por comunicação. Adoro reportar, escrever, editar, entrevistar, produzir, criar, criar, e criar.

BINGO: Escrever / Reportar

É isso. Escrever é minha paixão. Escrever está na base de tudo em mim. Escrever é meu lazer e meu trabalho. Captar imagens. Juntar imagem e escrita.

Peraí, eu sou Jornalista. Sou Comunicadora Social. Esse é o meu lugar.
Na minha geografia SER é diferente de ESTAR.
Eu sou Jornalista, não importa se estou mais ao sul ou mais ao norte.

Eu tenho tesão em ser eu mesma. Em usar e abusar dos meus talentos, seja pra uma coisa minha ou como contratada pra contar sobre a coisa de terceiros.

Então é pra esse lugar que meu conteúdo vai. Ele vai comigo. Porque eu sou o meu conteúdo. Sou testemunha do tempo, hóspede da minha própria casa. De constante eu carrego amor, algo pra clicar o momento e um bloquinho de notas.